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O amor acima de tudo

Padre André Marmilicz: Há mais alegria em dar do que receber

Um dos textos mais lindos que encontramos na Bíblia sobre o amor está em 1 Cor 13, que é um verdadeiro hino ao amor. São Paulo afirma de modo bastante incisivo que o amor é a verdadeira lei. Segundo ele, mesmo que alguém doe seus bens aos pobres, que coloque em chamas o seu corpo, enfim, faça tudo em prol do outro, doação, entrega, mas, se for, sem amor, de nada adiantará. Será como címbalo que soa e que é vazio, sem profundidade, sem sentido e logo desaparecerá. Mas que tipo de amor nos apresenta São Paulo? Com certeza, ele não é apenas um sentimento que passa e que se esvai rapidamente, mas é um comportamento, um jeito de ser e de viver no dia a dia que perpassa os tempos.

São Paulo, neste texto, apresenta algumas características fundamentais do verdadeiro amor. Em primeiro lugar, o amor é paciente. Paciência é uma virtude daqueles que amam, ou seja, é acreditar que tudo tem seu tempo e, que, as coisas não podem mudar da noite para o dia. Talvez essa atitude seja uma das mais difíceis de serem vividas no mundo atual, onde tudo requer pressa, rapidez, desrespeitando o processo natural das coisas. Quem ama não acelera as coisas, mas sabe esperar o momento certo, a hora certa, respeitando também a hora do outro. Em qualquer área da vida, é preciso saber esperar, do contrário, existe o perigo de queimar o processo, criando tantas vezes um estrago irreversível.

Quem ama está sempre pronto para ajudar, sem esperar nada em troca. O amor é sempre gratuidade, senão, é interesse, e isso foge da sua essência. Como é difícil ajudar o outro livremente e de coração! Parece que fomos educados a fazer tudo esperando sempre uma troca, uma compensação, uma recompensa. Cada vez mais as pessoas tem dificuldade de fazerem o bem como voluntários, de modo espontâneo, sem cobranças ou exigências. O próprio Jesus vai nos afirmar que em tudo o que fizermos em prol do outro, ‘que a mão esquerda não saiba o que a direita fez’. Quer dizer, agir sem buscar satisfazer os seus interesses próprios, mas, desejar exclusivamente o bem do outro.

Quem ama, não sente inveja do outro, mas se alegra com as suas realizações, com aquilo que ele pode conquistar na sua vida. A inveja é um dos grandes males da nossa sociedade, que destrói tantas relações humanas e tantas famílias. O invejoso não consegue ver o sucesso do outro, parece que isso o fere e aniquila por dentro. E, como consequência, geralmente ataca o outro, caluniando, inventando mentiras, destruindo a sua reputação. O amor puro vibra, se alegra, se regozija com as conquistas do outro. Um dia li numa placa de um caminhão uma frase que me impactou: ‘a tua inveja é a velocidade do meu sucesso’. O amor, longe disso, vibra e se encanta com o bem estar do outro.

Quem ama sabe perdoar, não guarda mágoas e nem ressentimentos. Uma das melhores definições que eu li sobre o perdão diz o seguinte: ‘perdoar é não dar poder aos pensamentos e aos sentimentos do outro a teu respeito’. Essa frase me levou a refletir longamente sobre aquilo que me magoava e decidi não dar poder ao outro sobre a minha pessoa. Quando eu perdoo, tudo se dissolve e imediatamente nasce uma paz interior. A falta de perdão gera desentendimentos, brigas, discussões, gritos e, tantas vezes, violência e até a morte. Jesus, no momento da máxima dor na cruz, demonstrou o seu amor profundo pela humanidade dizendo: ‘Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem’. O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O verdadeiro amor jamais acabará.

Publicado na edição 1296 – 27/01/2022

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