O casarão da família Augusto

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Data de 1945 na Praça Dr. Vicente Machado. Um velho e elegante casarão fazia parte do cenário das antigas casas que ladeavam a praça central e a Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios. A imagem aqui vista já foi a marca registrada da cidade de Araucária, pouco movimento, uma calma total, carroças puxadas por cavalos paradas em frente aos estabelecimentos no centro da cidade. Mas, aqui estamos falando sobre esse antigo casarão. Pertencia à Família de Sylvio Augusto (de saudosa memória), que ficou muito popular por ter sido um dos primeiros barbeiros de nossa cidade, mas antes que sua família viesse habitar o local, teve outro morador.
A história do primeiro morador e os fatos nos foram narrados pelo Professor Orivaldo José Augusto, bisneto do primeiro morador e filho do Sr. Sylvio. O casarão foi construído nas primeiras décadas do Século XX teve como primeiro proprietário o Sr. Paulo Kokot, neste local além de residência também construiu salas para abertura de seu estabelecimento comercial. Situada na esquina da Rua Sete de Setembro com a Praça Dr. Vicente Machado, tinha a principal construção a casa de terreo e primeiro andar onde havia uma sacada, grandes balaustres serviam de enfeites sobre o casarão, e a casa se estendia até fazer divisa com a propriedade do saudoso Miguel Durau. O Senhor Paulo Kokot, tinha hábito de levar uma cadeira na porta de casa e principalmente aos domingos ficar sentado observando o movimento da praça, afinal, no domingo, quando havia a missa dominical e a cidade incluindo as colonias vinham para o centro, havia mais movimento que na semana inteira, e infelizmente em uma destas ocasiões quando estava tranquilo observando o movimento, o Sr. Paulo sofreu um ataque por uma pessoa desconhecida que o esfaqueou causando-lhe graves ferimentos que o levou à morte. O casarão ficou fechado e abandonado.
Em 1959, após alguns anos de abandono, o saudoso Sylvio Augusto veio com sua família para Araucária para residir neste local. A casa e suas dependências foram restauradas, e novamente a casa passou a ter uma família em seu interior, o Sr. Sylvio abriu ali sua barbearia com a porta voltada para a rua Sete de Setembro, chegou a ser considerado o único barbeiro da cidade, pois exercia sua profissão de segunda feira à domingo sem reclamar, e assim o fazia até o ano de 1983 quando veio a falecer. Esses foram os fatos narrados pelo familiar.
Como muitos já notaram as casas da praça central não possuem muros ou jardins, suas portas e janelas se abrem direto para a rua, esse fato fez com que o Sr. Paulo perdesse a vida mesmo sendo em uma época de muita paz. O Sr. Sylvio Augusto, era católico fervoroso, e também um trabalhador incansável. Durante o dia trabalhava até nos finais de semana, mas a noite atravessava a praça para ir à Missa, e foi durante a realização de uma missa em 1983 que após confessar, comungar, retornar ao banco para as orações que teve um ataque cardíaco e veio falecer no interior do templo de sua fé, sua morte gerou grande comoção nos araucarienses pois sempre foi admirado e respeitado, e faleceu quando estava muito próximo a Deus. Após sua morte novamente a casa passou a ser residência e comércio, como a barbearia encerrou as atividades, as salas do térreo foram alugadas para outros tipos de comércio, e as casas que faziam divisa com a Família Durau foram vendidas. Um dos mais populares comércio do local foi a Loja de Discos de Vinil, Fitas e CDs de Inácio Mikosz chamada Mi Ci Som, mas isso foi um dos mais recentes já dentro dos anos 80. Na década de 60 havia ali a Farmácia do saudoso Floresval Forbeck e também a Oficina de Bicicletas dos Irmãos Stainczak.
Atualmente podemos ver no local das casas que fizeram divisa com a Família Haiduk, uma Casa Lotérica, Lanchonete e Escritório. No local do antigo casarão onde já havia sido modificado para receber a Lanchonete do Sr., Badhee, estão uma das Lojas da Franquia Mc Donald’s e a Ótica Cidade. Toda sua estrutura foi modificada e agora em nada lembra essa elegante construção, a praça central não é mais calma, nem as carroças sequer passam por ali, a Igreja da qual se vê a entrada foi modificada e reconstruída em 1958, e as pessoas já mudaram seus hábitos, desta imagem só lembranças e saudades.
Texto de TEREZINHA POLY – Administradora da Página Araucária uma cidade uma saudade do Facebook – com depoimento do Professor Orivaldo José Augusto Foto do acervo do Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres

O casarão da família Augusto
O casarão da família Augusto 1
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