Provavelmente todos nós já ouvimos a parábola do Filho Pródigo. Inclusive, muitos já encenaram essa passagem bíblica tão conhecida e repetida. Um pai que tem dois filhos; o mais novo pede a parte da herança que lhe cabe e vai embora. O outro, permanece
em casa, fiel ao pai, trabalhando o tempo todo. O filho mais novo vai pelo mundo afora e esbanja todos os seus bens. Tem muitos amigos que estão ao seu redor, por causa do dinheiro que ele possui. Fazem festas, se divertem e lá pelas tantas, acabou todo o dinheiro; os amigos o abandonam e sem saber o que fazer, aceita cuidar de uma granja de porcos, a ponto de comer a lavagem servida a eles. Cai em si então e resolve voltar para a casa do pai. Será que ele está arrependido ou a fome o fez regressar, depois de ter esbanjado tudo?

Aí entra a história do pai, que sempre alimentou a esperança de que o fi lho voltaria um dia para casa. Fica todos os dias aguardando um sinal de vida e, quando um belo dia, o avista regressando, corre ao seu encontro e o abraça, chama os seus empregados e ordena que preparem uma grande festa.
Imediatamente, pede que o vistam com uma roupa digna, manda matar um novilho gordo e fazem então a festa. O filho mais velho está na lavoura, trabalhando duro e, quando chega perto da casa e vê aquele barulho, uma enorme festa, chama um empregado e pergunta o que está acontecendo. Ele lhe responde dizendo que o seu irmão mais novo voltou e o pai fez uma grande festa para acolhê-lo de volta. O irmão mais velho fica indignado e se recusa a entrar. O pai, quando sabe disso, vai ao seu encontro. O filho mais velho reclama que sempre foi fiel a ele e nunca recebeu por causa disso uma festa. O pai então lhe responde: esse seu irmão estava perdido e foi encontrado, estava morto e voltou a viver.

Conhecida como a parábola do filho pródigo é na verdade, a história de um Pai Misericordioso. O centro não é o filho que erra, que gasta tudo, que esbanja todos os bens, mas é o Pai que está sempre pronto para acolher novamente em seus braços o seu filho. É o jeito de ser de Deus, sempre aberto para acolher quem errou, sem julgar ou condenar. O irmão mais velho caracteriza todos aqueles que se acham perfeitos e que estão sempre prontos para condenar quem errou. O Pai, pelo contrário, nunca abandona os seus filhos e, quando alguém se afastou do bem, da vida, ele está com os braços abertos para acolhê-lo novamente e faz festa.

Jesus, com a sua pregação, seus gestos e ações, nos revelou o verdadeiro rosto de Deus Pai: alguém profundamente misericordioso. Jesus vai afirmar: eu não vim para condenar, mas para salvar.
Deus não se alegra com a perdição de um filho seu, porque ele quer que todos se salvem. Pelo contrário, ele faz festa quando alguém se afasta da vida, do bem e, depois, se arrepende e volta. Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Deus não impõe medo e nem culpa em ninguém. Ele age movido por um amor profundo, pleno e cheio de compaixão. Nós, muitas vezes, pregamos um Deus que não existe, que parece ter prazer de ver os nossos erros e nos mandar para o inferno. Mas esse Deus não existe, a não ser, na cabeça de muitos pregadores, movidos tantas vezes pelo desejo de condenar. Esses precisam se converter e anunciar o Deus pregado por Jesus: cheio de misericórdia, que veio para salvar e não para condenar.

Publicado na edição 1304 – 28/03/2022

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