Compartilhe esta notícia

O povo hebreu aguardava com entusiasmo a vinda do Messias, que seria um rei forte, poderoso, capaz de derrubar o reinado de todos os povos da terra. E, de repente, surge uma criança frágil, de nome Jesus, que significa o Salvador, nascida numa manjedoura, longe de todo aparato econômico e político, pobre e humilde. Cresce em Nazaré, longe dos holofotes do poder, numa cidade desprezada pela maioria dos governantes, considerada estéril, porque de lá não saiu nenhum profeta. Nós sabemos muito pouco sobre a sua infância, e, nos evangelhos, não aparece em nenhum momento a sua profissão, assim como do seu pai adotivo. Talvez fosse marceneiro, mas ninguém nunca poderá provar esta hipótese. Cresceu numa família, cuja mãe era Maria e cujo pai era José.

De repente, após o batismo realizado por João Batista, este homem desconhecido, aparece às margens do mar da Galileia e começa a pregar a boa nova do Reino. Longe de impor medo, de ameaçar outros povos, o jovem de Nazaré se mostra cheio de amor, de compaixão, de misericórdia, sobretudo, para com os mais pobres e sofredores. A paz que ele vem trazer, através de suas palavras, gestos e ações, longe de defender as armas de fogo, exala perfume do amor. Um amor que encanta os humildes, os simples, os pobres, os abandonados e excluídos da sociedade. Ele vai ao encontro deles e, quando questionado porque visita os pecadores, os publicanos (cobradores de impostos) e senta à mesa com eles, responde: ‘não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes’.

O jovem Galileu encanta as pessoas que vão ao seu encontro, porque ele acolhe a todos, e, quando vê a dor e o sofrimento deles, exclama: ‘tenho compaixão desse povo, porque são como ovelhas sem pastor’. Um homem de um coração grande, que não veio para julgar e condenar, mas para salvar e resgatar a dignidade de todos. Os humildes finalmente sentem que alguém está com eles, se preocupa com suas dores e suas misérias. E esse alguém tão humano, começa a se apresentar como o Messias, o Filho de Deus, o enviado do Pai. E isso causa um grande mal estar nos grandes e nos poderosos da época, que tem medo de perder o seu poder opressor e destruidor.

A paz que esse homem chamado Jesus vem trazer, não tem armas de fogo, não é amparada por nenhum exército, não tem respaldo político. O que move a vida dele é um profundo amor pelos mais pobres e abandonados, marginalizados e excluídos da sociedade. Um amor que empolga e que transforma e que faz as pessoas acreditarem no novo reino, onde os poderosos serão tirados de seus tronos, pois o Senhor Deus ouviu o clamor dos pequenos. Um jovem plenamente humano, e, por isso, só poderia ser Deus. E assim, ele vai passando por vilarejos, cidades, famílias, anunciando a paz e resgatando a dignidade das pessoas, sobretudo, dos mais sofredores. Esse é Jesus, o verdadeiro príncipe da paz.

O encontro com esse homem, só pode nos conduzir a sermos também como ele, ou seja, promotores da paz. Um encontro que transforma as nossas vidas e nos faz amar assim como ele amou; a ter misericórdia, sem julgar ou condenar; a ter um coração plenamente compassivo. Se não for assim, quer dizer que não entendemos a sua mensagem e o seu evangelho. Seguidores do príncipe da paz, Jesus, o Salvador, somos chamados a sermos também semeadores do bem onde quer que estejamos. A deixarmos as marcas do amor impregnadas no coração das pessoas. A sermos verdadeiros construtores da paz.

Publicado na edição 1243 – 17/12/2020

O príncipe da Paz - notícias da Padre André Marmilicz  - O Popular do Paraná
Compartilhe esta notícia
Fechar anúncio