O que ainda falta perder

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Um dia perguntaram a Margareth Mead , famosa antropóloga, o que os arqueólogos deviam buscar como evidência mais remota de humanidade nos fósseis que estavam sendo encontrados na África de hominídeos. Ela respondeu sem hesitar que deviam buscar por sinais de que alguém foi cuidado pelos seus semelhantes. Para ela, o mais básico sinal de humanidade não era a capacidade de pensar ou de falar, mas a capacidade de cuidar dos outros como ato consciente.

Estamos vivendo uma época de perdas em todos os sentidos. A pandemia impôs a todos nós em maior ou menor grau algum tipo de perda. Mesmo aqueles que se sentem privilegiados e protegidos não sairão incólumes desse duro período que estamos passando. Vemos diariamente pessoas tendo altas perdas materiais. Patrimônios acumulados ao longo de uma vida evaporaram. Pessoas que pareciam saudáveis se foram, empregos sumiram. Aquela loja com um movimento invejável amanheceu fechada. Parece que nada ficou intocado. O equilíbrio psíquico, a paciência que se esgotou. O medo que veio afligir aquele que parecia uma âncora para todos. Mesmo muitos dos grandes especuladores viram seus investimentos virar fumaça. Diante disso há os que preferem se proteger da melhor maneira que podem. Não se deve culpá-los. Estão certos. Vivemos um momento de ameaças e dúvidas, mas não podemos esquecer da nossa humanidade, ou melhor, do que a define: a capacidade de cuidar conscientemente uns dos outros.

Muitas famílias se viram em condições extremamente precárias. Vivendo em situações inimagináveis. Com o frio, nos abrigamos em nossos cobertores e edredons quentinhos, seja em casas de classe média ou humildes, mas temos um teto. Como será então passar esse inverno em uma barraca? Em nossas páginas sempre procuramos enaltecer as ações de ajuda humanitária. Nesta edição você poderá ter a oportunidade de assumir o protagonismo de ajudar uma ONG a arranjar um teto digno a uma família. Aproveite essa oportunidade. Perder os bens ou mesmo a vida, às vezes, não é uma escolha. Perder a capacidade de escolher cuidar é. Boa leitura.

Publicado na edição 1265 – 10/06/2021

O Popular do Paraná é o jornal mais antigo de Araucária, na RMC. Circula ininterruptamente desde 21/04/1998. Sua edição impressa vai aos pontos de venda sempre às quintas-feiras.

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