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O que já sabemos sobre a operação Fox?

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Foto: Divulgação
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Na manhã desta quarta-feira, 5 de junho, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) deflagrou duas operações com alvos residentes em Araucária. Para uma delas foi dada o nome de Fox e para outra Tijuana. Destas, a que mais chamou a atenção foi a Fox. Isto porque um de seus alvos foi o secretário municipal de Segurança Pública, Lincoln Roberto Stygar.

O procedimento investigatório criminal que culminou com a deflagração da operação Fox foi aberto ainda no ano de 2023, mas a decisão que determinou que os agentes do GAECO fossem as ruas aconteceu no mês de maio de 2024.

No documento endereçado ao juízo da Vara Criminal de Araucária e assinado pelos promotores de justiça Felipe La marão de Paula Soares, Emiliano Mota Waltrick, Fernando Cubas Cesar e Karla Violato eles solicitam a determinação das buscas em razão de uma série de diligências feitas ao longo de um ano.

Além de Lincoln, são investigados nesse procedimento Carlos Alexandre Lima, vulgo Patinho, e Jonatas Gauss Godoi, vulgo Feijão. Ao sintetizar os crimes investigados, os promotores escreveram: “trata-se de procedimento investigatório criminal instaurado para apurar supostos crimes de corrupção, tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, supostamente perpetrados por agentes das forças de segurança pública que trabalham ou desempenharam funções no município de Araucária”

Embora os alvos da ação de hoje tenham sido três, foram determinados o cumprimento de doze mandados de busca e apreensão, todos em endereços ligados a Lincoln, Patinho e Feijão. Ao longo da argumentação feita pelos promotores para embasar o pedido de busca e apreensão, eles citam que o secretário de Segurança Pública confraternizava com os dois outros investigados, que seriam membros conhecidos do tráfico de drogas em Araucária. Para com provar essa relação, inclusive, juntam fotos de uma festa num pesque e pague em que os três estariam juntos.

Além dessa relação amistosa entre os três, o GAECO também subsidiou a operação desta quarta-feira com base na quebra de sigilo bancário de Lincoln, que apresentou movimentação bancária atípica e que não encontraria lastro nos rendimentos do secretário.

Escreveu o MP: “O atual secretário de segurança pública de Araucária as sumiu a função em março de 2023 e recebe salário valor bruto de R$ 15.304,60. Depois dos descontos e proventos legais, recebe salário líquido de R$ 12.537,53, conforme informações do portal de transparência da Prefeitura Municipal de Araucária. Fora a remuneração que recebe da Prefeitura Municipal de Araucária, não há informações que o representado tenha outras fontes de renda, conforme demonstra seu Imposto de Renda”.

Porém, apesar dessa falta de lastro financeiro, Lincoln teria movimentado em sua conta bancária R$ 1.637.706,37 no período de 01/01/2023 a 24/11/2023. Causou estranheza ao Ministério Público, além dos valores, o modo como esse dinheiro transitou pela conta do secretário. “Fora a expressiva quantidade de valores depositados em sua conta-corrente, em curto período de tempo analisado (11 meses), o que chama atenção é o modo adotado pelo representado para movimentar esses valores: grande parte em dinheiro vivo, com depósitos fracionados, em valores mais baixos, em algumas oportunidades vários depósitos no mesmo dia, tudo indicando uma tentativa de burlar os controles bancários”, consta do pedido de busca e apreensão.

Outro ponto ressaltado pelo MP é que do montante creditado na conta de Lincoln, algo em torno de R$ 351 mil foi depositado em espécie por meio de 105 transações. “Além da quantidade expressiva de depósitos em espécie, conforme Informação de Auditoria nº 357, chama atenção também que em determinadas situações o representa do efetuou diversos depósitos no mesmo dia; como, por exemplo: no dia 29 de maio foram realizados 8 depósitos em espécie na sua conta no valor total de R$ 16.200,00. No dia 06 de setembro foram realizados 5 depósitos (três deles no valor de R$ 5.000,00) que totalizaram R$ 20.600,00. No dia 08 de setembro foram realizados 12 depósitos que totalizaram R$ 45.000,00, sendo que grande parte dos valores limitaram o montante ao valor de R$5.000,00. A mesma sistemática foi observada em diversos outros dias, o que indica a adoção de formas fracionadas de depósitos para evitar as fiscalizações bancárias”, escreveram os promotores.

O MP ainda pontuou que “além dos depósitos em espécie, a outra forma de ingresso dos recursos nas contas do re presentado Lincoln Stygar foram transferências eletrônicas, efetuadas por pessoas físicas e jurídicas, que totalizou o montante de R$ 942.157,29 (novecentos e quarenta e dois mil cento e cinquenta e sete reais e vinte e nove centavos) no período, repita-se, de 11 meses”.

Nas diligências desta quarta-feira foram apreendidos diversos computa dores, celulares nas casas de Lincoln, Patinho e Feijão. Já do gabinete do secretário na sede da SMSP foram levados o computador funcional de Lincoln e um laptop. Todos os equipamentos serão periciados pelo Instituto de Criminalística.

Também durante as buscas foi encontrado algumas munições de pisto la nove milímetros na casa de Lincoln. Como esse tipo de munição é de uso restrito, sendo diferentes daquelas fornecidas pela Guarda Municipal, o secretário acabou sendo preso em flagrante por tê-las em casa. Em seu depoimento à Polícia para falar especificamente sobre este fato, Lincoln afirmou que a munição pertenceria a um amigo.

Até o fechamento desta edição, Lincoln permanecia preso. Porém, já havia manifestação do Ministério Público opinando por sua soltura, mediante a proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial e o pagamento de fiança. O processo agora está com a juíza responsável pela Vara Criminal de Araucária para análise.

Próximos passos

Como a ação de hoje foi apenas de cumprimento de busca e apreensão, sem a prisão de nenhum dos três em dos fatos investigados, não é possível precisar um prazo para que o Ministério Público encerre as investigações, oferecendo eventual denúncia e/ou promoção de arquivamento.