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Medo se espalhou entre os comerciantes, que planejam ação conjunta para retomar segurança
Medo se espalhou entre os comerciantes, que planejam ação conjunta para retomar segurança

O excesso de cadeados reflete o medo da comerciante
O excesso de cadeados reflete o medo da comerciante

Comerciantes da região central estão assustados com a crescente onda de furtos que vêm ocorrendo nas últimas semanas. Depois que os lojistas fecham as portas, as lojas estão sendo invadidas por bandidos. A maioria das invasões costuma ocorrer no período da madrugada e de manhã, antes da abertura dos comércios.

O clima é de medo e preocupação, isso porque os bandidos estão driblando até mesmo os locais que possuem câmeras, alarmes ou outros sistemas de segurança. “Ficou fácil pros bandidos, eles invadem a loja, o alarme dispara, mas como eles sabem que o patrulheiro da empresa de monitoramento só consegue chegar em alguns minutos, dá tempo suficiente pra roubar o que eles querem”, disse indignada a comerciante Aracy Tanaka, dona da Banca da Aracy.

O comércio dela é um retrato perfeito do medo e da impunidade. A banca tem sistema de alarme e a porta é trancada com cinco cadeados. Isso mesmo! Cinco cadeados, que são frequentemente estourados pelos bandidos. “Somente no final de dezembro e início de janeiro, minha banca foi arrombada três vezes seguidas. Os marginais não levaram muitas coisas, acredito que procuravam dinheiro, mas sempre fica o prejuízo para o comerciante de consertar os estragos que fazem. Em todas as situações registrei boletim de ocorrência, o problema é que a gente fica descrente de que algo possa ser feito. Acredito que está na hora de tomar medidas mais drásticas”, comentou Aracy.

Gustavo Tanaka, proprietário do Estúdio Personale, também aposta em ações mais amplas para coibir a onda de furtos contra o comércio, que não dependam apenas das polícias. Ele já presenciou vários alunos sendo vítimas de bandidos, seja com carros roubados ou apenas objetos do interior dos mesmos, ou ainda nas várias invasões contra sua própria academia. “Roubaram um carro bem aqui na frente da academia no dia 4 de janeiro, no dia 11 outro veículo foi arrombado e os ladrões levaram tudo que tinha dentro. Aqui na academia foram duas invasões em finais de semana, os ladrões levaram computadores, dinheiro e outros objetos. As câmeras de segurança re­gistraram a ação dos bandidos e fornecemos as imagens para a polícia, só que infelizmente ninguém foi pego”, comentou Gustavo, frisando que os comércios que funcionam após às 18 horas, como no seu caso, ficam à mercê dos bandidos.

Segundo ele, é preciso criar uma estratégia de segurança mais complexa, investir mais na Guarda Municipal, seja no aumento do efetivo ou na aquisição de equipamentos. “Precisamos construir um plano de segurança mais efetivo, fazer um trabalho conjunto com toda comunidade, onde os vizinhos possam se ajudar, cuidar um do outro, e não ficarmos apenas na dependência das polícias”, sugeriu.

A comerciante Jandira Nikodenski, proprietária de uma loja no Centro, discorda dos colegas, e afirma que as polícias e a própria Associação Comercial (ACIAA) é que devem criar meios que possam garantir mais segurança aos comerciantes. “Nós comerciantes já fizemos a nossa parte, pagamos nossos impostos em dia, é preciso que os responsáveis se movimentem e não fiquem esperando que os lojistas tomem a iniciativa, precisamos cobrar mais dos políticos, pra que cuidem melhor da Guarda Municipal, que invistam mais em segurança. Eu tive que colocar alarme monitorado na minha loja, que recentemente foi invadida, gastar do meu bolso, e não acho isso certo. Em Araucária as coisas andam muito devagar, as ações demoram muito pra acontecer, e esta falta de segurança que se instalou no comércio do centro é um reflexo disso”, argumentou.

Polícias apostam na cooperação dos lojistas

O tenente Marcos Antônio Gantzel, que está respondendo pelo comando da 2ª Cia da Polícia Militar de Araucária, confirma que houve um aumento significativo de furtos na região central, comparando com o mesmo período do ano passado. No entanto, não é possível citar a causa específica que justifique esses índices.

“A PM continua fazendo o seu trabalho e a Guarda Municipal também. Estamos com um módulo móvel circulando pela cidade e frequentemente temos realizado operações conjuntas com unidades policiais de São José dos Pinhais, fazendo bloqueios nas entradas da cidade, pra evitar que marginais vindos de fora venham agir por aqui. A ação da PM é preventiva, por isso sempre contamos com a colaboração da população, no sentido de utilizar mais o fone de denúncias 190 ou ainda ligar para a GM, sempre que presenciar pessoas em atitudes suspeitas. O mesmo vale para os comerciantes, que podem contribuir com a polícia tomando medidas preventivas como a instalação de sistemas de alarme, contratação de vigilantes ou outros meios que possam ajudar a coibir a ação dos marginais. Cuidar do comércio do vizinho e não apenas do seu também é uma dica eficaz de segurança”, salientou o tenente.

Da mesma opinião compartilha o diretor da Guarda Municipal, Cleverson Nunes Coelho. Apesar de afirmar que a GM está reforçando o policiamento nas áreas de maior incidência de furtos e assaltos, ele acredita que um trabalho de cooperação entre os comerciantes seria viável na redução de ocorrências. “Se cada um participar e fizer sua parte, investindo em equipamentos de segurança e cuidando do comércio do seu vizinho, ajudaria bastante o trabalho das polícias, pois é impossível cobrir a cidade toda. De qualquer forma, estamos nos mobilizando para promover uma reunião entre as forças policiais, o Conseg, a ACIAA e comerciantes para discutir o que pode ser feito”, pontuou.

Sobre a questão, o presidente da ACIAA, Carlos do Valle, disse que deverá agendar uma reunião nos próximos dias para discutir o tema juntamente com a Polícia Militar, Guarda Municipal, Conseg e lojistas. “Através de um esforço conjunto, com certeza, teremos muito mais resultados”, argumentou.

FOTOS: EVERSON SANTOS

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