Os fariseus e alguns da turma de Herodes, chegaram a Jesus e lhe fizeram uma pergunta, com o objetivo de lhe fazer uma grande armadilha: ‘é licito pagar o tributo a Cesar ou não?’ Ele percebeu a maldade que estava por detrás daquela provocação. Se ele dissesse que sim, teria o povo contra ele, pois, estavam cansados de pagar tanto imposto ao império romano. Seria para eles uma grande decepção, dado que confiavam em Jesus como o Messias esperado, que estava do lado deles. Mas, caso dissesse que não era lícito, poderia ser taxado como subversivo e um inimigo perigoso para aqueles defensores de Cesar. Qualquer uma das respostas implicaria danos para o Mestre.

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Jesus, percebendo a maldade deles, pediu-lhes uma moeda e eles imediatamente lhe forneceram. Perguntou então de quem era a imagem que estava naquela moeda e eles responderam: ‘de Cesar.’ E aí veio a resposta emblemática e difícil de compreender: ‘dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus’. Sabemos que dar a Cesar o que é de Cesar significa continuar pagando o imposto regularmente. Nenhuma sociedade se mantém se não houver uma fonte que possibilite o seu crescimento. Em todas as sociedades e em todos os tempos, o imposto sempre guiou a vida dos povos. O problema é que muitas vezes ele se torna exagerado, ou então, não retorna em benefícios sociais para as devidas sociedades. Mas ele é legítimo e necessário para o crescimento e o desenvolvimento de uma nação. O povo daquela época estava revoltado exatamente por isso: o imposto não revertia em obras para aqueles que contribuíam com ele, mas, ia para o império romano e o seu bem estar.

E o que significa ‘dar a Deus o que é de Deus?’ Jesus não explicou, simplesmente fez uma grande provocação. Se o dinheiro é de Cesar e a manutenção do seu poder, através do pagamento dos impostos, a Deus pertencem todos os seres humanos. Cada um foi criado à sua imagem e semelhança e deve ser tratado com dignidade. Com certeza Jesus quis dizer que nenhuma pessoa pode ser tratada com desdém, com humilhação, porque nela está inscrito o próprio Deus. A Ele pertencem todos os seres humanos, como sua propriedade e merecem todo o respeito e consideração. Toda vez que alguém é diminuído na sua dignidade, é o próprio Deus que é diminuído e humilhado. E, na ótica de Jesus, os mais simples, pobres, humildes e sofredores são os prediletos do Reino. Ele não despreza ninguém, mas, trata de modo preferencial os últimos deste mundo.

Dar a Deus o que é de Deus, significa então um total respeito com cada pessoa. Ninguém pode ser considerado inferior ao outro, pois, todos nós somos provenientes do amor do mesmo Pai. Em cada criatura está impressa a imagem de Deus. Esta é somente sua, ninguém pode apropriar-se dela indevidamente. ‘Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele criou’(Gn 1,27). Eis a criatura que não pode pertencer a mais ninguém senão a Deus: o homem. Ninguém poderá dominá-lo, escraviza-lo, oprimi-lo, aproveitar dele como se fosse um objeto de sua propriedade. É sagrado, é de Deus. As palavras de Jesus são um chamado para o cristão de hoje. Convocam-no para estar muito atento, a vigiar o comportamento de qualquer autoridade, a estar de prontidão, se necessário, para contestar, para criticar, para colocar em discussão qualquer um que não respeite a imagem de Deus que está impressa no rosto de cada pessoa.

Edição n.º 1954

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