Padre André Marmilicz: ‘ESTE É O MEU FILHO AMADO. ESCUTAI-O’ (Mt 17, 5)

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Jesus convidou alguns dos seus apóstolos para subir a montanha e rezar com ele. E enquanto estava rezando, ele se transfigurou, seu rosto tornou-se brilhante e apareceram nas nuvens Elias e Moisés conversando com ele. Pedro que estava dormindo e ao acordar-se viu aquela cena ficou maravilhado. Movido pela emoção daquele momento pediu a Jesus: ‘façamos aqui três tendas. Uma para ti, outra para Elias e outra para Moisés’. E enquanto ainda falava, do meio das nuvens se ouviu uma voz que dizia: ‘este é o meu Filho amado em quem coloco todo o meu agrado. Escutai’. E de repente, tudo voltou ao normal e não se veem mais as figuras de Elias e Moisés. E Jesus então pediu aos discípulos para descerem e não contarem a ninguém o que tinham visto, mas, somente depois da sua ressurreição. Por que o Filho do Homem ia sofrer muito, mas ia ressuscitar. Eles silenciaram, mas sem saberem o que aquilo tudo significava.

A transfiguração de Jesus no Monte Tabor antecipa a sua glória e apresenta ao mundo o verdadeiro Salvador, a quem devemos ouvir e seguir. Elias simboliza os profetas e Moisés a Lei, mas, a partir daquele momento eles desaparecem, e surge a voz de Jesus, como o único a ser ouvido e a ser seguido. Mas, para viver plenamente a glória, Jesus sabe que deverá passar pelo caminho de Jerusalém, o caminho do calvário e só depois ressuscitar. Os discípulos vão se lembrar disso quando Jesus ressuscitar e só então vão compreender as palavras do Mestre ditas naquela circunstância. A glória de Jesus não foi mundana, ao estilo dos grandes homens, possuidores de bens, de poderes, mas, passou pela dor, pelo sofrimento, pela privação de tudo, culminando com a morte na cruz. Ele venceu a suprema dor humana provocada por tanto desdém, tanta humilhação, zombaria, além de chicotadas, coroa de espinhos e a cruz carregada por nossos pecados, como prova máxima do seu imenso amor pela humanidade.

O ser humano que caminha peregrino nesta terra, também é provado por tantas situações dolorosas e surpreendentes em sua vida. Tirar a dor, o sofrimento, a cruz, é negar aquilo que faz parte inerente da existência humana. Muitas pessoas buscam somente a glória, o poder, o sucesso, como se a vida fosse um constante mar de rosas e flores. E, como não conseguem tudo o que desejam, acabam caindo em vícios do álcool, ou da droga, como verdadeiros paliativos que dão uma sensação de falso bem estar. Porque depois que passa o efeito, vem a ressaca e uma sensação de mal estar profundo que pode aos poucos levar a pessoa a uma depressão profunda. Fugir do sofrimento, negar as contrariedades da vida, certamente levará a pessoa a uma vida superficial, vazia, e, tantas vezes, tediosa e depressiva.

Diariamente somos desafiados a encarar tantos imprevistos negativos que simplesmente surgem em nossa vida. Na família, na comunidade, no trabalho, no relacionamento humano, no estudo, enfim, provamos tantas desilusões, por vezes traições, que pedem de nós coragem para enfrenta-los. Somente quando os enfrentamos e com dificuldades e0 sofrimento, conseguimos dar a volta por cima, é que provamos a glória e a vitória porque, depois da tempestade, vem a bonança.

Edição n.º 1387

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