Padre André Marmilicz: O barco em alto mar

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Email

A história do barco em alto mar, que parece que está prestes a naufragar, a se afundar, no fundo relata a vida das primeiras comunidades. A perseguição, as prisões, os sofrimentos, as torturas e até os martírios, dão a impressão que o barco, ou seja, a igreja nascente, vai sucumbir. Jesus aparece então, cessa o vento, a tempestade se acalma e tudo volta ao normal. Esse relato quer mostrar às comunidades recém formadas, que, apesar de todos os ventos contrários, ela vai permanecer firme, de pé, por que Jesus estará sempre no seu comando, não permitindo o seu naufrágio. E, realmente, o início do cristianismo foi marcado por muitas tempestades, e, por vezes, parecia que tudo iria se afunda e terminar. Mas, o Espírito de Jesus, o Ressuscitado, sempre surgiu para cessar os ventos e acalmar os cristãos nas horas mais difíceis da missão.

Esse barco pode ser a comunidade, a família, ou cada pessoa em sua própria individualidade. Quantos problemas surgem na vida de quem dedica seu tempo para a Igreja, e, por vezes, a tentação é de desanimar, de largar o barco. Mas Jesus garante que estará sempre presente, protegendo, guiando os passos da Igreja e ele permanecerá com ela até os confins do mundo. As tempestades que por vezes parecem virar o barco da Igreja não poderão fazer com que ele vire e naufrague, porque Jesus está dentro dele. A sua presença acalma, orienta, mantém a certeza de que o vento vai cessar. A Igreja, com certeza não vai desaparecer, não vai sucumbir, enquanto Jesus estiver dentro dela, como aquele que a conduz, a protege e a sustenta.

Esse barco pode ser a família, navegando em alto mar, no meio de ondas enormes e ventos contrários. Muitos afirmam que a família está se decompondo e inclusive alegam que em breve ela vai desaparecer. É verdade que os problemas que rondam os lares no mundo atual são enormes e por vezes quase que intransponíveis. Em muitos lares os ventos contrários tem nome de droga, de alcoolismo, de traição, de desemprego, como se ela fosse em breve se desfazer. Novamente encontramos Jesus que quer entrar nesse barco para acalmar a tempestade e trazer a certeza de que as coisas podem melhorar. Uma família que encontra espaço para Jesus, para a vida de oração, para momentos de espiritualidade, encontrará no Mestre, luzes e forças para não sucumbir.

Esse barco pode ser a minha vida pessoal, tantas vezes em alto mar, carregadas por problemas, dúvidas, incertezas, preocupações e adversidades. Muitos não conseguem superar as ondas gigantes e são submersos no meio do mar. Quantos que acabam sucumbindo por causa de uma depressão profunda e tirando até a sua própria vida. Jesus aparece e quer entrar no barco da vida de cada um, e. ser uma presença encorajadora e cheia de esperança. Quando ele se faz presente, uma luz também volta a brilhar no coração daquela pessoa desamparada e sofredora.

Em qualquer situação da vida, torna-se essencial a presença de Jesus, que acalma com a sua voz suave; que abranda aquele desesperado; que faz levantar o caído e desanimado. A sua presença anima, fortalece e não deixa o barco afundar, seja na comunidade, na família ou na vida pessoal. Fazer a experiência do encontro com ele, nos preenche por dentro e nos torna fortes diante dos ventos contrários.

Edição n.º 1375

Compartilhar
PUBLICIDADE