No tempo de Jesus se contavam muitas histórias de tesouros escondidos nos campos. Antigamente havia muitas guerras, invasões de tribos e de povos estrangeiros, e os habitantes para se salvar, fugiam às pressas. Antes, porém, procuravam esconder aquilo que não podiam carregar consigo e enterravam na sua propriedade verdadeiros tesouros, na esperança de poder recuperá-los, quando o perigo tivesse passado. Os verdadeiros donos, porém, geralmente não voltavam mais para suas terras e estas, depois de ficarem muitos anos sem serem cultivadas, eram ocupadas por outras pessoas que, naturalmente, nada sabiam do tesouro escondido. De vez em quando um transeunte observava algum brilho especial, adivinhava de imediato do que se tratava, vendia todos os seus bens e comprava aquela propriedade. É bem verdade que, quem tem certeza de ter descoberto algum objeto precioso, está disposto a qualquer sacrifício para tomar posse do mesmo.

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Partindo dessa realidade, Jesus ensina que quem descobriu o Reino de Deus, encontrou um tesouro. Se estiver realmente convencido, deve estar preparado para qualquer renúncia para não perdê-lo. Trata-se de um negócio decisivo para sua vida. Para entrar no Reino de Deus, é preciso ter a disposição para vender tudo e até perder a própria vida. Podemos nos perguntar: desde que descobrimos Cristo, o que mudou na nossa vida, no nosso modo de pensar, de falar, no nosso relacionamento com os outros? Que renúncia tivemos que fazer? Quando fazemos escolhas que não condizem com os valores do Reino de Deus, claramente estamos demonstrando que ainda não descobrimos esse tesouro. Na medida em que o encontramos, o nosso jeito de ser e de viver se transforma. Isso se percebe no nosso jeito de ser honesto, transparente, ético, que sabe distinguir o certo do errado, o bem do mal, sempre pronto a perdoar e a servir.

A escolha pelo Reino de Deus nos impulsiona a um jeito diferente de viver, em coerência com as escolhas batismais. Nos comprometemos, então, a mudar determinados hábitos, certas amizades e certas formas erradas de comportamento. Os primeiros cristãos eram facilmente identificados pelo modo como conduziam suas vidas, diferentemente do jeito de ser dos pagãos. O jeito de viver de quem descobriu esse tesouro, se manifesta no modo alegre de conduzir a sua própria vida. A alegria é uma característica de quem descobriu nos valores do evangelho pregados por Jesus o verdadeiro sentido para a sua vida. Infelizmente, há muita gente que ouviu falar do evangelho, mas nunca o considerou como um tesouro a ser comprado a qualquer custo, não se deu conta do valor, continuando triste e desanimado.

Existe uma diferença entre as duas parábolas. Na primeira, o homem encontra o tesouro por acaso, sem uma procura explícita. No segundo, o comerciante encontra a pérola após uma longa busca. As duas parábolas se completam: o Reino de Deus, por um lado, é um dom gratuito de Deus, por outro é também fruto da procura e do esforço do homem. Ele requer uma abertura da pessoa e determinação para mudar de vida, ao mesmo tempo que ele é um presente gratuito de Deus. Façamos a nossa parte, porque Deus, com certeza, sempre faz a sua parte. Nós é que muitas vezes não fazemos aquilo que nos compete. Isso exige sempre uma escolha a partir dos valores do evangelho.

Edição n.º 1942

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