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Padre André Marmilicz: Pentecoste – Nasce a Igreja

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A festa do Pentecostes é a festa do Espírito Santo que desce sobre os discípulos, reunidos no cenáculo, por medo dos judeus, e os envia em missão. Misteriosamente, de amedrontados que estavam, quase que inertes e paralisados, diante da morte escandalosa de Jesus, a vinda do Espírito Santo, os transforma radicalmente. Deixam para trás todo medo, e partem para a missão, cheios de ardor, de alegria, de entusiasmo, animados e perseverantes. Nada os assusta, pelo contrário, quanto mais caluniados, perseguidos e ameaçados, renovam a sua alegria pelo anúncio do evangelho. O próprio Jesus já os havia alertado que iriam sofrer muito por causa dele, mas, prometeu que estaria com eles e não os deixaria sós em nenhum momento de suas vidas.

Assim nasce a Igreja, cheia do Espírito Santo, que move e dirige os apóstolos na missão de levar a boa nova em todos os cantos do mundo. Desde o início, a missão tornou-se muito ardorosa, exigente, mas, nada os fez sucumbir ou desistir. Pelo contrário, eles sentiam-se alegres por sofrer por causa de Jesus e, cada cristão ameaçado ou martirizado, era semente de onde brotavam novos cristãos. Misterioso tudo isso, e, a única explicação, é que não eram eles a causa da missão, mas, o evangelho pregado pelo Mestre. Em nome dele é que eles arriscavam a vida, contra tantas ameaças, perseguições e, inclusive, muitos martírios. A Igreja é fundada sobre os ensinamentos dos apóstolos, por isso que dizemos, Igreja católica e apostólica.

Ao longo da história, a Igreja passou por situações difíceis, mas, a presença constante do Espírito Santo a manteve em pé, firme e forte. Jesus garante desde o início que não abandonaria aqueles que o seguissem, e, que Ele estaria com eles até o final dos tempos. E, mais, aqueles que permanecessem fiéis até o fim, seriam salvos. Quando alguém comenta sobre a Igreja, como se ela estivesse em decadência, eu sempre volto às origens e ali encontro a certeza de que ela não sucumbirá, porque quem a conduz, não são seres humanos, mas o Espírito Santo. Nós somos apenas seus instrumentos, frágeis e limitados, mas o Espírito é que a anima e a faz avançar sempre mais para águas mais profundas.

A festa de Pentecostes renova em cada cristão batizado, a certeza de que o Espírito Santo continua atuando e dirigindo a Igreja. Nela não existem donos, mesmo quando muitos se acham quase que insubstituíveis. O papa Francisco sugere a esses que se julgam imortais, para darem uma voltinha no cemitério. Ali muitos que se consideravam insubstituíveis estão enterrados, mas, a igreja continuou a anunciar a boa nova do evangelho, talvez, com mais alegria e entusiasmo. Na Igreja não existem donos, mas servos e instrumentos a serviço do Reino de Deus. Se pudéssemos definir o dono, com certeza, diríamos que é o Espírito Santo e ele jamais nos abandonará. Na Igreja, somos instrumentos necessários e importantes, mas, não imortais. Hoje somos nós que a conduzimos, mas, no passado foram tantos outros e no futuro, com certeza, outros nos substituirão. O importante é permitir que o Espírito Santo nos habite e que ele tenha espaço na Igreja, para apontar o caminho e a direção a seguir. Os tempos são outros, mas o evangelho continua sendo o mesmo, sempre procurando responder aos sinais dos tempos e, quem move e dirige a Igreja, em todos os tempos, é o Espírito Santo.

Edição n. 1364