Padre André Marmilicz: Seguindo o caminho de Jesus
O caminho realizado por Jesus, partindo da Galileia até Jerusalém, foi cercado de muitos ensinamentos. Esse caminho o conduziu até a morte na cruz, como gesto máximo de amor pela humanidade. Enquanto caminhavam, o Mestre foi lhes explicando, através de palavras, gestos e ações, as exigências do seguimento. Por isso, surpreende a pergunta de Filipe: ‘mostra-nos o caminho?’ E ele então responde: ‘eu sou o caminho, a verdade e a vida’. Tudo aquilo que ele apresenta através da sua pessoa, é o caminho a ser seguido e trilhado pelos apóstolos.
Neste caminho há muitas moradas, ou seja, muitos ministérios a serem assumidos pela comunidade. Jesus vai deixando claro que segui-lo requer uma atitude constante de serviço, de doação e de entrega. Não é um caminho fácil, simples, mas, muito exigente, cheio de sacrifícios em prol do próximo. Requer do discípulo, um despojamento de si mesmo, para abrir-se às necessidades dos mais simples e sofredores. Engana-se quem pensa que o seguimento é suave, como se diz na gíria, ‘água com açúcar’. No entanto, é uma exigência que traz alegria interior, realização, porque o ser humano se realiza plenamente quando é capaz de sair de si mesmo e pensar no outro.
A imagem do caminho marcou a vida dos primeiros cristãos que eram conhecidos como ‘os seguidores do caminho’. Ser cristão, mais do que uma religião, representava uma jornada ativa e um estilo de vida seguindo os passos de Jesus. A expressão aparece várias vezes em Atos dos Apóstolos para descrever o movimento nascente antes que o termo ‘cristão’ se tornasse comum. Historiadores apontam que no primeiro século o cristianismo era visto como uma seita do judaísmo conhecida como ‘o Caminho’. Isso tudo remetia ao caminho realizado por Jesus em direção a Jerusalém.
Como caminhantes, o caminho vai nos conduzindo em frente para um dia vivermos a alegria da vida eterna. No caminho de Jesus, somos convocados a nos comprometermos com a sua causa, assumindo os ministérios presentes na Igreja. Quando o Mestre afirma que na casa do Pai existem moradas, ele quer dizer que na comunidade existem diversos serviços. O caminho só acontece na medida em que aprendemos a servir, colocando nossos dons em prol das necessidades da comunidade.
A partir do Concilio Vaticano II, a Igreja tornou-se ministerial, onde todos batizados são chamados a cumprir a sua missão. De uma igreja centrada na figura do padre, surge uma igreja toda ministerial, onde todos são importantes e necessários. Existem funções diferentes, mas o objetivo é o mesmo: anunciar a boa nova do reino, sendo instrumentos a serviço de um mundo melhor, mais justo e fraterno. Uma igreja sinodal, com a participação de todos, fazendo juntos o caminho, através da comunhão e da participação em vista da missão.
Jesus é o caminho, e todos nós, juntos, somos chamados a segui-lo, como instrumentos do seu amor.
Nossas mãos, nossos pés, nossa boca, nossos olhos, enfim, todo nosso corpo é o instrumento através do qual Jesus hoje se manifesta ao mundo. Nossa vida a caminho, caminhando juntos como irmãos, é um sinal da presença do Mestre entre nós. Somos chamados a sermos testemunhas vivas de Jesus entre nós.
Edição n.º 1513.
