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Foto: Freepik

Quando o primeiro caso de covid-19 foi confirmado em Araucária, no mês de abril de 2020, trouxe consigo quarentenas, lockdowns, restrições, entre outras medidas de segurança necessárias para proteger contra a doença. A perda de convívio presencial com colegas, amigos e familiares, o medo incessante de um inimigo invisível e um futuro imprevisível mudaram a rotina de todos. Essas condições serviram como “gatilho” para novos casos de transtornos relacionados à saúde mental — ou para agravar quadros que já tinham sido estabilizados antes da pandemia.

Um estudo da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) concluiu que a demanda por tratamento psicológico nos consultórios particulares cresceu 25% apenas no período inicial da pandemia, até maio de 2020. Outra pesquisa do Ministério da Saúde — realizada no mesmo período com 17,5 mil brasileiros — identificou que os transtornos mentais mais relatados foram ansiedade, estresse pós-traumático e depressão em nível grave.

Aumento na demanda

Angélica Krzyzanovski, psicóloga particular, notou uma demanda semelhante em seu consultório, aumentando a média de pacientes atendidos por mês de 30 a 50%. Atuando em Araucária desde 2013, a psicóloga também percebe uma diferença nas causas que estão levando ao surgimento ou agravamento de transtornos mentais. “Sempre atendi mais casos de ansiedade e transtornos depressivos, porque é minha especialidade. Só que antes, eram relacionados a questões de trabalho ou relacionamentos pessoais, e agora a pandemia faz parte desse grupo”, explica Krzyzanovski.

Para Angélica, a preocupação com o vírus, antecipando os piores cenários possíveis, foi um dos principais motivos para o desenvolvimento de transtornos quando a doença atingiu a região pela primeira vez, em 2020. Hoje, essa preocupação se soma ao sentimento de luto por conhecidos e familiares, além do isolamento e perda dos espaços para realização de atividades normais e interações sociais. “Quando tem decretos, aumento nos números de mortes e casos de covid, as pessoas ficam mais ansiosas. Fora que, nesse ano, tive muitos pacientes penalizados e abalados com a morte de pessoas famosas, jovens e que antes não faziam parte do grupo de risco, como o Paulo Gustavo”, aponta.

Na rede pública de Araucária, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II atende em média 500 pacientes, oferecendo acompanhamento de casos graves de saúde mental. Casos leves e moderados são redirecionados para as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Com a pandemia, os profissionais observaram a desestabilização de alguns casos estáveis e o aumento de tentativas de suicídio. O número total de atendimentos anteriormente estava em torno de 1000 usuários, porém devido a impossibilidade de oferta de grupos e oficinas terapêuticas e diminuição do quadro de médicos, esse número foi reduzido.

Quando procurar ajuda

Desde o começo da pandemia, a psicóloga Angélica Krzyzanovski recebeu vários pacientes novos, mas se surpreendeu com o número de antigos pacientes que retornaram. Segundo a psicóloga, esses casos antigos já estavam com quadro estabilizado antes da pandemia e foram fragilizados devido aos impactos diretos e indiretos da doença.

Angélica lembra que ansiedade, tristeza e medo são sentimentos naturais: “Quando temos uma situação incômoda, o ideal é nosso organismo responder com o sentimento e, após resolvida, não sentirmos mais isso. Esse é o mecanismo natural”. O problema aparece quando o sentimento se torna constante — ansiedade todo dia, tristeza todo dia — e esse é o primeiro sinal de que a pessoa precisa buscar ajuda. “A pessoa não consegue dormir direito, começa a pensar demais, não consegue concentrar no trabalho ou nos estudos, tem coração acelerado, palpitações e/ou respiração ofegante sem nenhum quadro clínico. Outro sintoma é a vontade de fugir, se esconder, quando na verdade ela precisa buscar por ajuda”, descreve.

Texto: Laís Almeida, sob supervisão de Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1268 – 01/07/2021

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