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Dra Maria Tereza, que acompanha o prefeito solicitou seu afastamento por noventa dias para tratar da saúde
Dra Maria Tereza, que acompanha o prefeito solicitou seu afastamento por noventa dias para tratar da saúde

Chegou ao fim a segunda passagem de Olizandro José Ferreira (PMDB) pelo comando do Município. E chegou ao fim de uma maneira que nem os seus maiores críticos imaginavam: com uma renúncia! E uma renúncia provocada não por escândalos de corrupção ou perda da governabilidade política e sim por um grave problema de saúde, que necessitará dele dedicação exclusiva em seu tratamento.

A carta de renúncia de Olizandro ao cargo que as urnas lhe conferiram em 7 de outubro de 2012 teve apenas uma lauda. Ela foi apresentada a parte de sua equipe e a alguns vereadores de sua base de apoio no final da tarde de terça-feira, 26 de julho. A derradeira reunião convocada pelo prefeito enquanto chefe do Poder Executivo municipal aconteceu em seu gabinete, no quarto andar da Prefeitura. Ele ficou na sala por cerca de uma hora. Em seguida, com os olhos tomados pelas lágrimas, agradeceu ao apoio de sua equipe e saiu. Chamou o elevador privativo do Paço Municipal uma última vez e foi embora, vencido, mas não por sindicatos ou adversários políticos e sim por uma doença: a Miastenia gravis (MG).

A doença é considerada pela literatura médica como rara, se manifesta em menos de 150 mil pessoas anualmente. Olizandro é portador da forma autoimune da MG. Ou seja, a própria resposta imunológica do corpo se volta contra os componentes da placa motora responsável pela transmissão do estímulo nervoso que faz o músculo contrair. Isso causa em seu portador fadiga extrema, fraqueza muscular, dificuldades para mastigar e engolir, falta de ar, voz anasalada, pálpebras caídas e visão dupla.

Olizandro descobriu ser portador da doença ainda em 2012, justamente durante a campanha eleitoral que o devolveu ao comando da cidade depois de quatro anos. O primeiro sintoma foi justamente o das pálpebras caídas. Ele chegou a fazer uma micro-cirurgia para erguê-las e poder seguir com a campanha.

Em 2013, no entanto, os sintomas foram piorando e o prefeito teve que se licenciar do cargo para um tratamento mais intenso. Ele, no entanto, não concluiu o procedimento e reassumiu o comando da cidade quando sentiu que os sintomas haviam diminuído. Talvez tenha sido este seu maior erro.

Ao longo dos últimos meses, no entanto, seu quadro clínico se agravou. Ele passou a ter muita dificuldade para falar e começou a apresentar visão dupla. Os médicos que o acompanham, Maria Tereza de Moraes Souza Nascimento e Sonival Candido Hu­nhevicz, ambos neurocirurgiões, recomendaram que ele se licenciasse do comando da cidade por noventa dias para se tratar e devolver à doença a normalidade. A necessidade do afastamento se dá justamente porque os sintomas da MG se acentuam diante de quadros de estresse. Além disso, por se tratar de uma doença autoimune, para que os remédios façam efeito, o paciente precisa ter sua imunidade diminuída, o que o torna uma vítima fácil para vírus e infecções. Logo, enquanto estiver se tratando, ele terá que ficar num ambiente onde a circulação de pessoas é controlada.

Carta de renúncia de Olizandro teve uma página e foi protocolada ontem cedo na Câmara de Vereadores
Carta de renúncia de Olizandro teve uma página e foi
protocolada ontem cedo na Câmara de Vereadores

Mesmo com a recomendação de afastamento, Olizandro foi adiando o pedido de licença. Nos últimos quinze dias, porém, os sintomas se agravaram muito e os médicos já sinalizavam que talvez noventa dias não fosse o suficiente caso o prefeito não se desligasse totalmente de situações estressantes. Conhecedores do estilo centralizador de Olizandro, seus familiares insistiram que ele deveria renunciar, já que ele não conseguiria se dedicar completamente ao tratamento se estivesse vinculado ao comando da Prefeitura. Seus médicos também defendiam essa tese. Argumentaram que se o prefeito fizesse o tratamento de maneira correta, em poucos meses a doença estaria estabilizada e ele poderia retomar seus projetos pessoais e políticos. No entanto, caso não o fizesse, Olizandro poderia a qualquer momento ter uma crise aguda de falta de ar ou mesmo se engasgar em razão da dificuldade de mastigar e engolir, o que poderia ser fatal.

Rui tomou posse ontem

Rui foi empossado pela Câmara como novo prefeito do Município na noite de ontem
Rui foi empossado pela Câmara como novo prefeito do Município na noite de ontem

O pedido de renúncia de Olizandro foi apresentado à Câmara na manhã desta quarta-feira, 27 de ju­lho. Tão logo recebeu o documento, o presidente da Casa, Wilson Roberto David Mota (PSD), convocou uma sessão extraordinária para a noite de ontem mesmo.

Como determina a legislação, o pedido de Olizandro foi lido e o cargo declarado vago. É bom ressaltar que por se tratar de renúncia não cabia aos vereadores aprova­rem ou não seu pedido. A renúncia é um ato personalíssimo que independe da aprovação de terceiros. O que coube à Câmara foi apenas declarar o cargo vago e chamar o vice para assumi-lo.

Sob os olhares de um plenário lotado, Rui jurou cumprir a legislação brasileira e foi empossado novo prefeito de Araucária, com mandato até 31 de dezembro deste ano.

Dr. Sonival, um dos médicos de Olizandro, pediu que ele se afastasse do comando a Prefeitura por tempo indeterminado
Dr. Sonival, um dos médicos de Olizandro, pediu que ele se afastasse do comando a Prefeitura por tempo indeterminado

Texto: Waldiclei Barboza / FOTO: Everson Santos

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