A postagem recente feita por um estabelecimento comercial de Araucária, localizado no Centro, dizendo que devido ao grande fluxo de roubos praticados por alunos de dois colégios da cidade (nominados no post), a loja iria proibir a entrada com mochilas e bolsas, acabou gerando constrangimento a todos os demais estudantes. Rapidamente a postagem ganhou as redes e causou indignação por parte dos diretores das instituições e de toda a comunidade escolar.
O diretor do Colégio Estadual Monteiro Lobato – instituição citada na postagem – Roberto Hideo Seima, disse que tão logo tomou conhecimento do caso, entrou em contato com a loja e pediu que retirassem o nome da instituição. “Um dia antes de fazer a postagem um representante do estabelecimento esteve aqui no colégio para ver se conseguia identificar, através das imagens das câmeras de segurança, se os autores do furto eram de fato alunos nossos. Ele até conseguiu identificar um dos jovens, mas logo admitiu que ele não havia roubado nada, apenas estava próximo a dois outros estudantes, carregando mochilas nas costas, que haviam furtado alguns produtos. Após vierem aqui e eu pedir que mudassem o texto, eles fizeram uma segunda postagem, apenas retirando os nomes dos dois colégios. Ficamos indignados. A atitude da loja é passível de ação na justiça por parte deste aluno que foi injustamente acusado e também porque denegriram a imagem dos dois colégios, causado constrangimentos a todos os demais estudantes”, lamentou Roberto.
Andre Gotfrid, diretor do Colégio Estadual Professor Julio Szymanski, também citado na postagem, disse que iria entrar em contato com a loja também, mas logo ficou sabendo que eles haviam feito a correção do post. “Fiquei indignado a postura deles. Temos 2.500 alunos, pode sim ter algum que esteja envolvido, mas ao estampar o nome do colégio, todos levaram a fama por algo que talvez 3 ou 4 tenham feito. Isso foi totalmente errado e injusto”, criticou.

Crime previsto pelo ECA
Logo ao tomar conhecimento da postagem, o Conselho Tutelar também entrou em contato com a loja e pediu a retirada de todas as postagens referentes ao assunto. A conselheira tutelar Patrícia Soares esclareceu que o artigo 247 do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, estabelece multa de até 20 salários mínimos para quem divulgar adolescente em conduta de ato infracional. “A conduta da loja foi totalmente reprovável e irresponsável, por ter colocado os adolescentes nessa situação. E o fato de não retirarem as imagens que mostram os adolescentes, configura um crime. Não se pode divulgar adolescentes em ato infracional, eles deveriam juntar as imagens e levar na polícia, fazer um boletim de ocorrência, e as autoridades policiais é que iriam aplicar as medidas necessárias”, explicou.
Ainda de acordo com a conselheira, o fato de eles terem ido até um dos colégios para tentar identificar os alunos foi ainda mais grave. “Isso conota perseguição dos adolescentes, não se pode expô-los dessa maneira. O artigo 18 do ECA fala sobre isso, que nenhuma criança ou adolescente deve receber um tratamento violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Então, isso que a loja fez é errado, é reprovável. Os adolescentes que cometem ato infracional recebem as medidas para cumprir, são responsabilizados por suas condutas, dentro do que preconiza a lei. Que sirva de exemplo para outros, que nunca repitam tal atitude”, pontuou Patrícia.

Texto: Maurenn Bernardo

CONTEÚDO RECOMENDADO

VEJA TAMBÉM

Compartilhe

Share on twitter
Share on facebook
Share on telegram
Share on whatsapp