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Todos os dias temos inúmeras ideias que nunca são colocadas em prática, exatamente porque transformar uma ideia em realidade é algo complexo e muitas vezes pode ser frustrante. Concretizar algo exige ação e sempre que a gente se move no mundo acaba tendo que mover e contar com a ação de outras pessoas também. Mas é bem verdade que talvez não haja nada mais gratificante que ver algo que estava apenas em sua cabeça tocando a realidade de outros.

Sempre acreditei que a cultura é a coisa mais importante em uma sociedade, basta vermos o poder de dominação dos Estados Unidos conquistado, em muito, pelo grande alcance dos filmes Hollywoodanos. Todos acreditamos que os Estados Unidos é o melhor lugar para se viver e que no caso do apocalipse chegar, apenas o presidente norte americano poderá nos salvar. Nossos ideais românticos foram delineados por Hollywood. Quase toda a nossa noção de felicidade e sucesso também. Por isso é tão importante enxergarmos nossa identidade e a levarmos para o mundo. Não para dominá-lo, já que os Estados Unidos vem fazendo isso muito bem, mas para compartilharmos nossa existência e colaborarmos para a compreensão de um mundo diverso. Não nos reconhecemos nos filmes porque não somos norte americanos. Não nos reconhecemos nas novelas da Globo, porque não somos a elite carioca.

Precisamos cantar nossa aldeia. E venho batendo nessa tecla já há muitos anos. Tenho, com muitos colegas, cobrado que os governos entendam a importância de políticas públicas para a cultura, mas essa luta torna-se cada vez mais difícil, pois sem equipes qualificadas, aqueles que deveriam gerir nosso dinheiro para nosso bem estar, se distanciam cada vez mais do que é política pública e, parece, jamais alcançarão a compreensão do que é cultura.

Eu e um grupo de amigos resolvemos então, agir. Estamos organizando o 1º Festival de Arte e Gastronomia de Araucária, com a audaciosa intenção de tentar desnudar um pouco essa cultura araucariense. Propusemos aos estabelecimentos a criação de um prato, com referências da cultura local e elencamos alguns ingredientes. Estávamos certos de que teríamos muitos pratos com influência polonesa, o que não aconteceu. Temos um prato polonês e os demais, das mais distintas origens: italiana, turca, árabe, escandinava, indígena, tropeira. Com receitas que revisitam a culinária goiana, paulistana, catarinense, baiana e gaúcha. Isso revela uma Araucária múltipla e diversa, onde começa ser possível que nos reconheçamos. Quanto aos artistas que responderam ao nosso discreto chamado, poucos são nossos amigos e conhecidos, ou da nossa já denunciada “panela”. Surgiram fotógrafos, pintores, tatuadores, músicos, atores, dançarinos, performes, artesãos, mostrando que temos muita gente produzindo e sem a possibilidade de mostrar um trabalho genuinamente nosso, porque ainda estamos iludidos com a ideia de que “o que é de fora é melhor”.

O Festival ainda não começou, mas já nos ensinou que é possível unirmos forças para entendermos um pouco a nossa própria identidade cultural. São 13 empresários e mais de 30 artistas unidos para transformar uma ideia em realidade. Nunca pensei que pudesse ser tão fácil unir um número tão grande de pessoas, em Araucária, por um propósito. Mas estávamos e estamos todos sedentos para que algo aconteça. Não sabemos se essa é a melhor receita, mas estamos tentando. Estamos certos de uma única coisa: Precisamos cantar nossa aldeia.

turistandoperto.com/festivaldearteegastronomia

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