A vida é um grande percurso, que em primeira instância se dá no próprio caminhar. Esta jornada não é uma simples entrega ao acaso, ao destino, mas sim, uma disposição ao movimento que exige de cada um de nós, constantemente, rememorar o passado, sintonizar o presente e estimar um futuro, afirma o analista da Pastoral do Colégio Marista Sagrado Coração de Jesus, Diego Martendal.
Nesta perspectiva, o que seria então o projeto de vida? Seria como um arquiteto que, com base em estudos, define como será a concretização do planejado? Ou seria como um médico, que identifica uma doença e procura uma cura, testando o mais provável tratamento? Ambos os casos nos trazem pistas do projeto de vida, tal como ele é. Por vezes, aquilo que esperamos e batalhamos para concretizar, de fato se realiza. Nestes momentos nos sentimos plenos e vencedores. Mas e quando não se concretiza? Quando o médico faz tudo que está ao seu alcance, mas infelizmente não encontra a cura, não consegue atingir o tratamento eficaz? Será que neste momento o projeto de vida falhou ou foi mal “projetado”?
É em situações como estas que a espiritualidade nos mostra uma terceira opção. O projeto de vida é como um monge que resolve ir morar no deserto. Não há planos suficientes que garantirão o sucesso de sua morada, sua segurança, seus recursos. Mas mesmo assim, ele traça o seu caminho com a convicção de que o que o aguarda é a própria experiência. Morar no deserto traz muitas surpresas, muitos desafios e muitas possibilidades de rumos. Possivelmente no deserto a compreensão de um projeto de vida, enquanto expectativa de construção, não será eficaz, mas as experiências serão muito mais fortes e marcantes, as experiências serão as grandes significantes da vida.
Para um jovem ou uma jovem que esteja buscando um certo “rumo” ou direção é importante pensar em todas as possibilidades de projetos de vida, mas também é importante manter consigo a certeza de que as escolhas nos fornecem experiências. Neste sentido, a espiritualidade ajuda a encontrar a realização e a felicidade nas particularidades, nas incertezas e nas escolhas que a muitos parecerão absurdas. Por isso, na espiritualidade, o projeto de vida se torna, em primeiro lugar, a tarefa constante de buscar a felicidade e com ela, respeitando o passado, o presente e o futuro, buscar o seu próprio deserto.

Publicado na edição 1312 – 19/05/2022

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