Foto: Pixabay

No último domingo, 27 de fevereiro, um crime bárbaro chocou a comunidade araucariense. Um filho de 23 anos matou o próprio pai a facadas, dentro de um supermercado, sem se incomodar com a presença dos clientes. A vítima, de 56 anos, ainda clamou por piedade, mas o algoz, disposto a matar, lhe desferiu mais golpes. Foram tantas facadas que chegaram a desfigurar o rosto do pai e quase amputaram seus braços.

Mas pasmem, este não foi o único crime hediondo registrado em Araucária, envolvendo familiares diretos. Em 2020 um filho matou a própria mãe, escalpelou seu couro cabeludo e ainda lhe arrancou um dos olhos. Em 2019, outro filho havia matado o próprio pai, com golpes de picareta e machado. Neste mesmo ano, um homem matou a facadas a esposa e a sogra e feriu gravemente o sogro. No ano de 2018 um neto assassinou o avô de 78 anos e em 2016 um pai discutiu com o filho e matou o rapaz com uma facada certeira.

O psiquiatra Luciano Sankari, da Clínica São Vicente, tentou analisar o perfil desses assassinos, e em que circunstâncias podem ter cometido os crimes. De acordo com ele, a primeira possibilidade é de que a pessoa tenha algum tipo de psicose, ou seja, alucinações, delírios, desarranjo no seu pensamento, situações que poderiam levá-la a crença incomum de que matar o pai ou matar o filho é algo que faz parte de uma predestinação, de um plano ou comando de alguma coisa superior. “A segunda possibilidade, mais incomum é a do filho, que dentro de uma situação de violência extremamente absurda ou de maus tratos, tem uma reação emocional extrema. A partir dessa reação ele pode chegar a matar ou às vezes essa reação pode levar a uma agressão, onde não se queria exatamente matar, mas por um excesso e por não saber medir o meio que o usa, a pessoa pode cometer o assassinato. Temos ainda aquela pessoa que está intoxicada de drogas e que perde a capacidade de controlar os seus impulsos, as suas capacidades e acaba fazendo esse tipo de coisa”, explica.

Outra possibilidade citada pelo médico, que costuma ocorrer com mais frequência, é quando a pessoa é psicopata. “É aquela pessoa que tem um nível de maldade, de perversidade muito intenso, uma falta de empatia pelo outro. Esse psicopata pode matar, seja por uma situação de desejo de eliminar alguém ou causar sofrimento. Ele não encontra nenhum tipo de trava para fazer isso. É nesta situação que se enquadra o criminoso violento, aquele perverso, malvado, que tortura, que mata sem qualquer empatia. Este tem um defeito na personalidade, na sua formação, que faz com que não tenha capacidade de ter compaixão, piedade de outra pessoa. Para ele, aquele que está na sua frente pode ser simplesmente um obstáculo a ser removido, ou causar sofrimento a outro pode ser seu objetivo”, esclarece o médico.

Dr. Luciano diz que a psicopatia é denominada nas classificações como transtorno de personalidade antissocial. Em pessoas com menos de 18 utiliza-se o termo transtorno de conduta.

Laços rompidos

Também como possível fator que contribui aos parricídios (pais que matam filhos) e felicídios (filhos que matam pais), está a ruptura afetiva, mais comum no final da infância e durante o período de adolescência, onde, naturalmente, existe a vontade do filho de se ‘descolar dos pais’. “Nessa fase, o desprezo, a falta de interesse dos pais, a crueldade de muitos genitores, ou mesmo os pais que não conseguem preparar os filhos para lidarem com frustrações, contribuem para agressividade e atos extremos”, avalia.

Ainda na visão do médico, é difícil ajudar a pessoa que matou por psicopatia, por maldade, por falta de empatia. “É complicado tentar modificar a sua vida, porque nesses casos, remédio nenhum é efetivo. Essa pessoa realmente mata pelo prazer de matar, tem um defeito de personalidade profundo que talvez, em algum momento da vida, possa ser trabalhado com tratamento psicoterápico, se a pessoa tiver a capacidade de reconhecer seu problema”, diz.

Ainda sobre os psicopatas, Dr Luciano Sankari aponta que são um risco para outros, já que seu interesse primário é o seu o próprio bem-estar, não importando, se para obter isto precisem causar sofrimento a outras pessoas.

Serviço

O Dr Luciano Sankari atende na Clínica São Vicente, que fica na Rua São Vicente de Paulo, 250, Centro, O fone para agendar consultas é o (41) 3552 4000.

Relembre os principais crimes hediondos cometidos em família

Publicado na edição 1301 – 03/03/2022

CONTEÚDO RECOMENDADO

VEJA TAMBÉM

Compartilhe

Share on twitter
Share on facebook
Share on telegram
Share on whatsapp