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Rui “perde” prazo de renovação de contrato e Araucária está sem coleta de lixo

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Desde o meio da tarde desta sexta-feira, 7 de outubro, a cidade de Araucária está sem coleta de lixo comum, reciclável e hospital. Isso porque o prefeito Rui Sérgio Alves de Souza (PTC) não renovou o contrato com a empresa que atualmente executa o serviço, a Transresíduos. O acordo que estava em vigência venceu nesta quinta-feira (6) e inicialmente havia a previsão de que ele seria prorrogado por pelo menos mais trinta dias, até que a Prefeitura iniciasse novo processo de licitação ou adequasse o orçamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) para que a vigência do contrato fosse estendida por mais meses.

 

Conforme apurou nossa reportagem, embora o contrato com o Município tenha vencido ontem, a Transresíduos ainda executou os serviço de coleta de lixo durante toda a manhã e início da tarde desta sexta-feira. Fez isso porque teria havido o compromisso da Prefeitura de que a renovação do contrato seria assinada hoje. “Em mais de duas décadas atuando nesse ramo, nunca vi tanta irresponsabilidade de uma administração com um serviço tão essencial como a coleta de lixo”, comentou um representante da empresa, que pediu para não ter o nome identificado.

 

Ainda de acordo com o apurado pelo O Popular, a Transresíduos abriu mão de um reajuste natural do contrato em razão da renovação de cerca de 20% e ainda ofereceu um desconto de outros 12% após ouvir queixas da Prefeitura de que o Município passava por dificuldades financeiras. “Mesmo assim, sem maiores explicações, recebemos a informação da Secretaria de Meio Ambiente de que o contrato não seria renovado. Hoje trabalhamos de graça até o início da tarde, tudo para que não houvesse a interrupção do serviço de coleta de lixo comum, reciclável e hospitalar. Porém, após esse comunicado da Secretaria de Meio Ambiente, tivemos que recolher os caminhões e a coleta já do período noturno não será feita”, comentou o representante da empresa. Em razão desta confusão patrocinada pela Prefeitura, não haverá coleta de lixo no final de semana, inclusive a hospitalar.

 

O Popular entrou em contato com a secretária de Governo, Fernanda Karas, que disse não estar a par do tramite processual que envolveu o processo. Acrescentou ainda que o Município passa por dificuldades financeiras e que vários contratos estão sendo revistos.

 

Nossa reportagem tentou então contato com o secretário de Meio Ambiente, Marcio Silva Salgado, que está à frente da pasta há poucos dias. O celular utilizado por ele, inclusive, sequer tem código de área do Paraná e sim de São Paulo. Embora tenha atendido à ligação, Marcio se negou a falar sobre o assunto. Disse que não tinha em sua agenda telefônica o número do jornalista de O Popular e que, por esta razão, não tinha como saber se era ele mesmo quem estava falando. Informamos então que as informações solicitadas eram de interesse público e que poderiam ser dadas a um desconhecido. Ele novamente se negou a dá-las. Disse que já havia sido vítima de golpe por telefone e que preferia um encontro pessoal para que não fosse enganado. Infelizmente, em razão do adiantado da hora e a importância pública do assunto, a matéria não poderia esperar o encontro com o secretário, ainda mais considerando que estamos em pleno século XXI e até em respeito à invenção do telefone, feita por Alexander Graham Bell em 1876, justamente para agilizar a comunicação entre as pessoas.

 

Embora Marcio não tenha falado, nossa reportagem apurou que o contrato com a Transresíduos não foi renovado porque a Secretaria de Meio Ambiente teria deixado vencê-lo. Logo, como o prazo fatal para a prorrogação foi 6 de outubro não haveria como celebra-lo no dia 7. Ainda conforme apurado, a extensão contratual já poderia ter sido assinada na semana passada, mas sabe-se lá por qual motivo isso não foi feito. E, em razão de tamanha irresponsabilidade, Araucária ficará sem coleta de lixo durante o final de semana e início da próxima.

 

Para deixar a situação ainda mais nebulosa, a saída agora seria a celebração de um contrato emergencial de coleta de lixo. Advogados ouvidos pelo O Popular, no entanto, veem na tática que se avizinha a chamada “emergência fabricada”, o que pode ser caracterizada como ato de improbidade administrativa.

coletalixo

Texto: Waldiclei Barboza / Foto: Carlos Poly/Arquivo