Jesus sempre primou pela autenticidade, sendo ele próprio, testemunha daquilo que falava, através de seus gestos e ações. Diversas vezes questionou os fariseus e tantos outros que diziam uma coisa e praticavam outra. A esses ele chamou de hipócritas, ou seja, pessoas que representam como se fossem atores. Ator é aquele que veste um papel por algum tempo, mas, a sua vida não condiz com aquilo. Alguém pode representar a figura do rei, mas, na realidade, é apenas uma representação que, terminada a cena, volta ao seu normal. Representar algo é fácil, mas, viver aquilo que se representa, é muito diferente. Na vida, no cotidiano, corremos o perigo de nos enganarmos através de palavras bonitas, até emocionantes, mas, sem acreditarmos plenamente naquilo.

Ser é muito diferente de representar, porque envolve toda a sua vida, seu jeito de ser, de viver e de agir. É falar algo como verdade e procurar viver de acordo com aquilo que se prega. É o que Jesus fez e nos ensinou em toda a sua vida. Suas palavras amorosas, ternas, eram carregadas de gestos e ações correspondentes. Na sua vida havia uma grande coerência entre a palavra dita e a ação executada. O contrário disso acontecia com os fariseus que diziam uma coisa, mas a sua conduta não condizia com suas palavras. Certa vez Jesus disse aos discípulos para seguir o que dizem os Mestres da Lei e fariseus, mas, não fazer como eles fazem. Pois, falam bonito, mas, na prática, são totalmente incoerentes e contraditórios, dizem uma coisa e fazem bem outra.

Jesus condena fortemente a hipocrisia, como uma das atitudes mais indesejáveis e reprováveis em nossa via. Geralmente os hipócritas se colocam como os perfeitos, com direito de julgar, condenar, de apontar os erros dos outros, dotados de um forte moralismo. Facilmente apontam as falhas alheias, mas, são incapazes de olhar para si mesmos. Jesus usa a imagem da trave e do cisco, ou seja, eles veem o cisco que está no olho do outro, e, não percebem a trave que está no seu. No fundo, esse é um modo de agir, de quem não quer olhar para si mesmo, de mudar sua vida, de mudar suas atitudes, porque vive apenas representando algo sem viver de acordo com o que comunica.

Os seguidores de Jesus, diferentemente dos fariseus, dos doutores da lei, são chamados a viver aquilo que pregam. Essa é a máxima do evangelho: dar exemplo, ser testemunha daquilo que se prega. Não é fácil, pois, representar é bem mais simples. Seguidamente nos frustramos com pessoas que falavam tão bonito, faziam pregações maravilhosas e emocionantes, mas, que de repente, vem a tona quem elas são na realidade. Fingiam de amor, de ternura, de honestidade, de transparência, mas, sua prática era bem contrária àquilo que pregavam. Muitos que os seguiam, ficaram tão decepcionadas a ponto de não crer mais em Jesus. Por isso, nossa entrega deve ser sempre ao Mestre e não às pessoas que falam dele. Ghandi dizia que admirava Jesus, mas não os seus seguidores e, por isso, não era cristão.

Certa vez li um livro que dizia: Ser é bem mais difícil do que representar, porque envolve conversão, mudança de vida, atitudes, mas é muito mais dignificante, porque, representar, lá pelas tantas cansa. Ninguém consegue viver toda a vida como se fosse um ator que apenas representa. Ser requer autenticidade, transparência e testemunho de vida, ou seja, viver aquilo que se prega. Assim foi Jesus e assim nós somos chamados a sermos.

Publicado na edição 1300 – 24/02/2022

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