SMED e Sinepe/PR defendem equilíbrio no uso de celulares nas escolas

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Em relatório divulgado recentemente, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), fez um alerta sobre o uso excessivo de tecnologia por crianças e adolescentes e citou exemplos de países que os smartphones são proibidos em salas de aula ou que a utilização é regulamentada. Conforme o relatório, dados de avaliações internacionais sugerem uma conexão negativa entre o uso excessivo das tecnologias de informação e comunicação e o desempenho acadêmico. Segundo a Unesco, descobriu-se que a simples proximidade de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países.

Ainda conforme a organização, os riscos do excesso de tecnologia incluem a distração e falta de interação humana, além da invasão de privacidade e da disseminação do ódio. A Unesco também orienta que haja cautela no uso e melhor estruturação das escolas para aplicarem os meios tecnológicos que potencializam o ensino — estimulando a aprendizagem e a criatividade.

A secretária de Educação de Araucária, Adriana Palmieri, concorda com a Unesco quanto à necessidade de cautela no uso do celular nas escolas. De acordo com ela, é inegável que a tecnologia desempenha um papel cada vez mais significativo na vida cotidiana, inclusive na educação, já que oferece oportunidades valiosas para o acesso a informações, colaboração e aprendizado aprimorado. No entanto, como mencionado pela Unesco, ela acredita que o uso excessivo pode levar a problemas como distração, baixo rendimento escolar e, potencialmente, a perda de oportunidades de aprendizado significativo.

“É fundamental que haja um equilíbrio adequado entre o uso da tecnologia e os métodos de ensino tradicionais. As escolas e os educadores devem buscar maneiras de incorporar a tecnologia de forma responsável no ambiente de aprendizado, utilizando-a como uma ferramenta complementar ao currículo, evitando que seja uma distração prejudicial. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que o uso de tecnologia não é algo inerentemente negativo, e a abordagem adequada pode variar dependendo do contexto e das necessidades educacionais específicas de cada estudante. Restringir totalmente o uso de smartphones ou tecnologia pode não ser a solução ideal, mas a sua utilização deve ser regulamentada para garantir que seja benéfica ao processo de aprendizagem”, ponderou a secretária.

A Unesco reforça ainda que a tecnologia está sendo usada em alguns lugares para melhorar a educação e bons exemplos desse tipo de uso têm de ser compartilhados de forma mais ampla para que a melhor forma de oferta possa ser garantida a cada contexto. “A tecnologia está se desenvolvendo tão rápido que não há tempo de fazer avaliações para fundamentar decisões sobre legislação, políticas e regulamentação. A pesquisa em tecnologia educacional é tão complexa quanto a própria tecnologia”, diz a organização.

Nesse contexto, a SMED afirma que a conscientização sobre os potenciais efeitos negativos do uso excessivo de tecnologia é crucial para que pais, educadores e governos possam tomar decisões informadas para implementar políticas educacionais mais eficazes. “É importante também promover o desenvolvimento de habilidades digitais adequadas para que as crianças e adolescentes possam fazer uso responsável e produtivo da tecnologia em suas vidas. Em suma, o relatório da Unesco serve como um alerta importante para a sociedade sobre a necessidade de abordar a questão do uso de tecnologia no ambiente educacional com cuidado e discernimento. A busca por um equilíbrio saudável entre o mundo digital e a educação tradicional é essencial para o sucesso acadêmico e o desenvolvimento integral dos estudantes”, avaliou Adriana.

Não “demonizar”

Sobre o debate, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná – Sinepe, afirma que o uso de celulares em sala de aula, como quase tudo em nossas vidas, tem como solução a busca do justo meio. Destaca ainda que não há como negar que o excesso no uso de telas – incluindo neste rol celulares, computadores e TVs – é prejudicial à saúde, à socialização e ao aprendizado, causando perdas que começam a ser efetivamente mensuradas. E lembra que já há literatura especializada, de qualidade, tratando do tema, como o livro ‘A Fábrica de Cretinos Digitais’, de Michel Desmurget.

“Por outro lado, é também inegável que as telas fazem parte do nosso cotidiano na ampla maioria das profissões modernas, e que o rápido avanço das inteligências artificiais – vide o estrondoso sucesso do chatGPT – exigirão que os profissionais saibam utilizar as mesmas para que tenham sobrevida no cada vez mais acirrado mercado, seja ele um empreendedor ou um empregado. Cabe à escola, sabendo destas duas realidades tão opostas, buscar uma forma de diminuir o uso de telas em sala de aula, porém não se abstendo de mostrar que o correto uso de aparelhos como os modernos smartphones pode ser realizado como forma de agilizar a execução de várias tarefas – desde uma pesquisa científica até o contato com pessoas de outros países e culturas”, explica o Sinepe.

O Sindicato ilustra que Aristóteles acreditava que o homem feliz era aquele que atingia a virtude (o justo meio) evitando os excessos (os vícios por falta ou excesso). Por isso, acredita que a tecnologia deve ser utilizada em sala de aula com cautela, porém não pode ser demonizada, pelo bem dos nossos estudantes e professores.

Edição n.º 1375

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