Compartilhe esta notícia
Sucata vira arte e ainda serve como terapia para artesão
Já na entrada da casa, a cabeça do lobo chama a atenção. Foto: Marco Charneski

 

Que atire a primeira pedra quem nunca atravessou uma crise violenta de estresse e se viu obrigado a mudar o estilo de vida para sair dela. O araucariense Sílvio Fonseca, funcionário da Justiça Federal de Curitiba, sabe muito bem o que isso significa. Cansado com a rotina entediante do trabalho, um dia chegou na oficina onde costuma levar sua moto para conserto, e começou a enxergar com outros olhos o tambor de sucata, que sempre estava lá, mas que ele nunca tinha dado atenção.


“De repente me peguei pensando no que aquelas peças, cujo destino seria o lixo, poderiam se transformar. Pedi algumas para o dono da oficina, e quando cheguei em casa, me empolguei. Ao som de um rock and roll, confeccionei minha primeira peça, exatamente a réplica de uma moto, usando apenas correias velhas e cola. Isso foi há cerca de um ano e meio, hoje já não consigo enumerar as várias peças, esculturas e ferramentas que já fiz”, conta Silvio, lembrando que foi através desse hobby que ele conseguiu melhorar a qualidade de vida, inclusive largou os medicamentos controlados que vinha tomando.

Entre as peças é possível encontrar a réplica de uma banda de blues, um pinheiro araucária, dragões, a Dona Morte, armas, facas, escudos, mesas, lixeiras, cinzeiros, porta capacetes, lustres, imagem de Nossa Senhora Aparecida e vários artigos para decoração. Além da sucata, Sílvio também utiliza a técnica de esculturas feitas com cascas de coqueiros. Alguns dos trabalhos foram expostos no Motor Show do ano passado, em exposições em moto clubes, barzinhos de motociclistas e de rock and roll e outros foram para a Itália. Também já surgiram convites para expor em outros estados. “Fomos convidados para expor em Brasília (DF), mas como isso demanda de uma estrutura grande para transporte das peças, no momento, não conseguimos aceitar os convites. Mas quem sabe num futuro próximo isso seja possível”, lamenta Sílvio.

Sustentabilidade

Em tempos em que o tema preservação ambiental tem sido bastante debatido, e que muitos não se preocupam com o futuro do planeta, outros preferem dar sua contribuição. E é assim com o artesão Sílvio, que realiza um trabalho fantástico, transformando sucata em verdadeiras obras de arte. Todas as suas peças, desde as menores, até as mais pomposas, são produzidas exclusivamente com sucata de motos, material que geralmente é descartado pelas oficinas e vão parar no meio ambiente. “Além do prazer de criar as peças, fico feliz em saber que, de certa forma, estou dando minha contribuição para a preservação da natureza ”, salienta.

A inspiração

O artesão comenta que a inspiração vem de repente, nada é planejado. “Geralmente acordo com uma ideia na cabeça e vou pra minha oficina, é assim que as peças surgem. Algumas eu faço em poucas horas, outras demandam mais tempo e um empenho maior. De todas elas, não posso dizer qual foi a minha preferida, cada uma tem um sentido especial, mas não tenho problema em me desapegar e colocá-las à venda”, afirma.

O que começou com uma simples atividade de lazer, que acabou virando uma terapia, tem grandes chances de se tornar uma nova fonte de renda para Sílvio e a esposa Franciane Lourenço. Aposentada por problemas de saúde, ela exerce um trabalho fundamental na divulgação dos trabalhos do marido, através das redes sociais. “Hoje já temos muitos seguidores, centenas de curtidas e comentários, mas o caminho a ser traçado para tornar essa arte rentável ainda é longo”, observa Franciane.

Serviço

Se você quer conhecer mais sobre o trabalho do Sílvio, entre em contato pelo telefone (41) 99622-9079 ou através das redes sociais Instagram “sfsucataearte” e Facebook “SF Sucata & Arte”.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1165 – 30/05/2019

Compartilhe esta notícia