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João Batista, o precursor, aquele que prepara os caminhos para a vinda do Salvador, deixa a cidade e vai para o deserto. Vive de modo muito simples, se alimenta daquilo que o deserto lhe oferece e, prega um tempo de conversão, de mudança de vida, de atitudes, uma transformação interior, pois o Senhor está chegando. Suas palavras são fortes, até de certo modo duras, incisivas, tirando as pessoas do comodismo, de uma vida passiva, feita só de preocupações materiais. É no deserto, onde o silêncio, a solidão, o encontro com Deus permeiam sua vida, que o Batista anuncia a chegada daquele que virá para salvar a humanidade. Ele tem consciência de ser apenas um instrumento, e, que nem é digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Sua missão é clara: preparar os caminhos do Salvador e, assim que ele chegar, sua missão estará cumprida.

Estamos no tempo de advento, a espera desse grande acontecimento: o Natal, o nascimento do Menino de Deus. Assim como João Batista, somos chamados a ir ao deserto para preparar a sua chegada em nossa vida. Deserto não é um lugar físico, mas, um lugar espiritual, de encontro com Deus. No meu tempo de seminário, tínhamos um tempo de deserto, que sempre era na última sexta do mês. Nós nos retirávamos para um lugar tranquilo e passávamos uma tarde em silêncio, em oração, em contato com a natureza e com Deus. Recordo com alegria e com saudades daquele tempo tão precioso e inesquecível em minha vida. Acredito que precisamos e, muito, deste tempo de deserto hoje, neste mundo tão doido, frenético, e, no silêncio, deixarmos Deus falar dentro de nós.

O homem pós-moderno vive muito agitado, preocupado, cheio de atividades, angustiado. Para acalmar esta sua agitação interior, busca meios de entretenimento, de lazer, na ilusão de relaxar, descansar e curtir a vida. E, em vez de voltar alegre e animado, parece que toma conta dele um vazio maior ainda. Busca tantas compensações externas, na esperança de que elas preencham, mas, na verdade, o afastam mais ainda da verdadeira felicidade. Não são as coisas materiais que nos preenchem, embora, por momentos, elas nos causem uma sensação de prazer e bem estar. Logo depois, elas se esvaem, e, como um saco vazio, não nos sustentam por muito tempo.

Faz-se necessário e urgente encontrar um tempo para silenciar as vozes exteriores, as necessidades puramente físicas e materiais, e, deixar Deus falar dentro de nós. Para tanto, é urgente distanciar o celular, o barulho da televisão, as bebidas, a gula, os prazeres tão passageiros e ilusórios. Fechar os olhos, respirar, estar a sós, e deixar o interior falar. Dentro de cada um de nós existe um mundo quase inexplorado, que, se chama interioridade. A agitação, a pressa, o excesso de atividade impedem o ser humano de ouvir-se por dentro. Todo dia, para bem vivermos, precisamos encontrar um tempo de inatividade para adentrarmos descalços em nosso mundo interior.

Talvez a melhor maneira de ouvir o convite do Batista a ‘preparar os caminhos do Senhor’ seja fazer silêncio, escutar as perguntas simples que brotam do nosso interior e estarmos mais atentos ao mistério que nos envolve e penetra por todos os lados. Deixar por instantes as ocupações habituais e entrar em si mesmo. Lançar fora as preocupações sufocantes, afastar as inquietações do trabalho e dedicar uns momentos a Deus e descansar em sua presença. Viver o deserto, silenciar, longe de todo barulho exterior e deixar Deus falar.

Publicado na edição 1290 – 02/12/2021

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