Terezinha Poly: Sentado no banco da Praça

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Década de 90 na Praça Dr. Vicente Machado. Cada vez que vemos corte de árvores na praça central, a primeira coisa que nos vem à mente é por quê? Se as árvores estão grandes, dando sombra, abrigando passarinhos, não há necessidade de destruir o que já existe. Mas, o que não pensamos é quantas vezes isso já aconteceu. Em primeiro lugar, quando a primeira Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios foi construída, toda a área ocupada pela igreja e pela praça possuía um grande número de árvores nativas que foram cortadas para dar espaço para as novas construções. Mas a Praça Dr. Vicente Machado sempre teve árvores, e de tempo em tempo quando as mesmas já começam a tomar todo espaço da praça elas são cortadas e substituídas por mudas novas já pegadas e também de outras qualidades.

Essa foto mostra uma destas mudanças. Na época que essas árvores foram cortadas havia um grande número desta espécime, eram os que já conhecemos pinus, uma árvore não nativa, vinda do Canadá e que se desenvolviam rápido e espalhavam suas raízes longe do tronco, muitas vezes, as calçadas e passeios da praça eram elevadas pelas raízes das árvores, mas isso no caso das árvores desta foto, pois já vimos outras árvores sendo retiradas e causaram comoção nos usuários da praça, e nem essas foram diferentes. Mas, conforme notamos a retirada das árvores, seus troncos no chão com certeza fez com que o saudoso Atílio Sezino Pereira de Souza, sentisse uma tristeza por ver esse cenário.

O Sr. Atilio era uma pessoa de grande influência em Araucária, possuía grande conhecimento político, frequentemente era visto nestes bancos de mármore da praça central rodeado de diversas pessoas, principalmente por aqueles que almejavam ocupar algum cargo público na cidade e que tinham neste senhor um exemplo de seriedade e foi mentor daqueles que seguiam a política com respeito, ética e integridade. O Sr. Atilio descendia dos primeiros moradores de Araucária no tempo que a cidade ainda era conhecida como Vila Araucária, residia e seus descendentes ainda residem em umas das poucas e antigas casas que havia ladeando a Praça Dr. Vicente Machado. Frequentemente era visto neste banco, e com diversas pessoas ao seu redor, mas não neste dia, quando ele olha desolado o fim das árvores que ele via todos os dias.

No início lembramos o fato que não é a primeira vez que as árvores da praça central são retiradas, já foram feitas reformas e revitalizações e todas elas exigiram o sacrifício do verde, por muitas vezes a população discorda com o fato de tantas árvores serem sacrificadas, mas lembramos que desde a construção da praça central as árvores foram sacrificadas, seja as primeiras nativas que nasceram na natureza, como estas que vemos tombadas e que foram plantadas pelo órgão regulamentador da Prefeitura para Praças e Jardins.

Aqui a tristeza de ver tantos troncos no chão fica marcada pelo olhar do Sr. Atilio Sezino Pereira de Souza, à quem hoje relembro com muito respeito e admiração, por ser uma das pessoas que fizeram parte de Araucária e que ensinou à tantos o valor de ser honesto dentro do campo político.

Edição n. 1364

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