Tribunal do Júri condena três réus pela morte brutal de jovem em 2023 no Campina da Barra
Heron Eduardo dos Santos Nepomuceno sofreu agressões físicas, golpes com pedaços de madeira e arremesso de bloco de concreto
O Conselho de Sentença do Tribunal do Juri de Araucária condenou os réus João Vitor Neves Nichak, Lucas Adriano de Souza e Victor Henrique de Paula Reis, pela morte de Heron Eduardo dos Santos Nepomuceno, ocorrida em 23 de abril de 2023, no bairro Campina da Barra.
João Vitor e Lucas foram condenados pelo crime de homicídio duplamente qualificado, já Victor teve o crime desclassificado e recebeu a condenação por lesão corporal seguida de morte. Os três também respondiam pelo crime de corrupção de menores, previsto no artigo 244-B, do Estatuto da Criança e do Adolescente, mas foram absolvidos nesse quesito.
A pena provisória imposta a Lucas foi de 12 anos de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado, isso porque a justiça entendeu que o acusado, solto, representa uma ameaça para a sociedade. Ele também teve negado o direito de recorrer em liberdade.
João Vitor teve a pena definitiva estabelecida em 10 anos de reclusão, que deverá começar a cumprir em regime semiaberto. Ele terá o direito de apelar em liberdade. Após a sessão, a Juíza presidente do Tribunal do Juri expediu seu alvará de soltura.
Victor recebeu a pena definitiva de 4 anos e 8 meses de reclusão, em regime aberto. Ele terá o direito de recorrer em liberdade e após a sentença, também teve expedido seu alvará de soltura.
RELEMBRE O CRIME
Na madrugada do dia 23 de abril de 2023, na Rua Crisântemo, bairro Campina da Barra, os três jovens já condenados, acompanhados de um adolescente de 17 anos de idade e com o auxílio de outro jovem denunciado à época dos fatos, assassinaram Heron Eduardo dos Santos Nepomuceno, por motivo fútil, meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, a vítima sofreu agressões físicas (chutes, socos, pontapés, pisadas), golpes com pedaços de madeira e arremesso de bloco de concreto, que por diversas vezes atingiram a região da cabeça, provocando múltiplas lacerações na sua face, as quais resultaram em um politraumatismo crânio facial.
No dia que antecedeu ao crime, os denunciados e o adolescente que os acompanhava, foram a uma festa no bairro, onde beberam e usaram drogas. Na madrugada saíram da festa a pé, em direção às suas respectivas casas, e no percurso encontraram a vítima sozinha na rua. Por conta de conflitos anteriores com dois dos réus, por furtos que teriam sido cometidos pela vítima contra seus parentes e lesão corporal praticada ao irmão de um deles, o quarteto iniciou as agressões físicas contra Heron, sem que este pudesse esboçar qualquer reação.
No decorrer das investigações, filmagens de uma câmera de vigilância mostraram João desferindo chute e soco na vítima, que acabou caindo ao chão. Então, Lucas, Victor e o adolescente, agrediram Heron com socos, chutes, e pisadas por cerca de três minutos, a exceção de outro jovem, que não participou, porém deu apoio e incentivo à violência. Ainda, durante as agressões físicas, João Vitor gravou a brutalidade e a postou em seu status do whatsapp, dizendo ao final que a vítima tal qual seu irmão.
Após cessarem as agressões, os denunciados e o adolescente deixaram o local e a vítima ficou caída no chão inconsciente. Cerca de 10 minutos depois, Lucas retorna, e com sua bicicleta, tenta passar por cima da cabeça da vítima, porém não conseguindo, joga a roda dianteira contra a cabeça de Heron.
Lucas ainda desce da bicicleta e desfere diversos chutes e socos na vítima enquanto João Vitor se aproxima, e ambos utilizam pedaços de madeira para agredir a vítima. Quando cansam, fazem nova gravação de seus atos, focando no rosto lesionado de Heron, e saem do local com os demais envolvidos, que igualmente já haviam retornado ao local.
Minutos depois, João Vitor retorna ao local onde Heron se encontrava caído, desce da bicicleta, pega um bloco de concreto e arremessa na cabeça da vítima.
Edição n.º 1954
