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Uma reflexão pelos que protegemos

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Uma tragédia ocorrida no município evocou muitas ponderações sobre um dos problemas que mais causa pesadelos em pais, educadores e outros profissionais que trabalham com crianças: Como evitar acidentes como o ocorrido no Jardim Israelense no final de semana?

Muitas mães e pais dizem que a chegada de um filho muda a maneira como a pessoa vê o mundo. Atitudes antes consideradas normais passam a ser vistas como risco ou mau exemplo. As pessoas mudam em função dos filhos. Direções de escolas, professores e cuidadores estão sempre tentando se antecipar a acidentes e passam boa parte do tempo bolando estratégias para cercar de segurança os pequenos.

Porém, nunca se está cem por cento seguro. Há sempre uma margem de risco em tudo que se faz. Mesmo dentro de casa, são muitas as circunstâncias que podem envolver um acidente. Quem é pai, mãe, responsável por uma criança enxerga o mundo de uma maneira diferente: fica mais desconfiado, previdente, conservador. Se preocupa com o exemplo, muda coisas de lugar, muda-se hábitos para evitar situações de risco e assim por diante. Da mesma forma, mesmo quem não tenha nunca vivenciado uma perda, um acidente, preocupa-se não só com os seus, mas também com os filhos dos outros. E quando, mesmo com todos os cuidados, algum sinistro acontece, o que traz um pouco de conforto é a sensação de que fez tudo tudo que podia ser feito.

Fica difícil julgar a atitude dos outros. Sabemos que o imprevisto acontece. A mãe, que poderá ser ré no caso que noticiamos em nossa 31, praticamente já está duplamente punida. Perdeu o filho e será torturada pelo resto da vida por sua consciência. Que conjunto de fatores levou à tragédia? Qual foi o grau de culpa? Isso será a pesada responsabilidade da Justiça em apurar e, havendo culpa, posteriormente decidir.

Nada vai trazer a criança de volta, mas sobra a todos os responsáveis por menores a reflexão: estamos fazendo tudo que podemos para oferecer a proteção para aqueles por quem somos responsáveis? Em nome das crianças que ainda temos, pense nisso. Boa leitura.

Publicado na edição 1277 – 02/09/2021