Vamos trabalhar

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Com o resultado das eleições ficou claro o recado dado a nossos políticos. O povo não é mais aquele idiota que pode ser enganado o tempo todo. As pessoas mostraram que estão de saco cheio de mentiras e mudaram mais de setenta por cento dos vereadores. Mas ainda vai demorar para que a classe política entenda o significado disso. A prova é que quase todos que sempre estiveram no poder tentaram, outra vez nestas eleições, fazer valer a conversinha de sempre. Levaram pau nas urnas. E aqueles que entraram gastando fortunas vão descobrir que, diferente do que sempre ocorreu, não vão conseguir tirar o investimento em forma de favorecimentos. Alguns se endividaram até o pescoço e, quando terminar o mandato ainda estarão devendo.

O salário do vereador diminuiu, os cargos dos assessores e seus salários também. E o costumeiro acerto, onde o prefeito nomeava indicados pelos vereadores para garantir apoio na Câmara também não deverá ocorrer. A única alternativa será trabalhar naquilo para o qual foram eleitos.

Se para os vereadores a vida não será fácil, para o prefeito eleito Hissam Dehaini a vida será duríssima. Ele vai assumir uma prefeitura com as finanças arrebentadas, sem dinheiro para pagar a folha e com uma dívida monstruosa com fornecedores. Terá que negociar com sindicatos para que os servidores não só não façam greve por conta de direitos não pagos, como terá que fazer com que todos trabalhem de maneira mais eficiente do que estão fazendo hoje.

O maior desafio de Hissam serão as reformas que ele terá que colocar em prática e que irão doer principalmente no servidor médio que está habituado a benesses de administradores que não quiseram se indispor com eles. Em especial dos prefeitos Albanor Zezé e Olizandro, que se alternaram no cargo nos últimos dezesseis anos, e deixaram um legado de aumentos salariais, benefícios e planos de carreira que beiram a irresponsabilidade, principalmente quando colocados frente a capacidade de pagamento da prefeitura e à baixa eficiência dos serviços prestados à comunidade.

Em suma, ele deverá colocar imediatamente o monstro imenso, pesado, lerdo e faminto que a prefeitura virou em um regime daqueles brabos. Vai ter que reduzir a comida e mandar para academia.

A grande vantagem é que ele vai assumir sem compromisso com ninguém. Sua equipe de campanha foi reduzida, gastou uma mixaria, e quase não disse o que iria fazer, quais eram suas propostas. Mais da metade dos eleitores apostaram nele. Vai assumir sob uma grande expectativa, mas também com total liberdade de ação. Isso é coisa rara, pois tanto Zezé, quanto Olizandro sempre assumiram amarrados com os acordos políticos.

Isto é, Hissam já tem a faca e o queijo na mão. Nossa torcida é para que ele consiga agir com a rapidez necessária. Pense nisso e boa leitura.