Quando falamos das tentações de Jesus, percebemos a profunda humanidade do Mestre. Ele era gente, pessoa humana, e, sofreu as mesmas situações vividas por cada um de nós, menos o pecado. Ele foi tentado no deserto durante 40 dias e 40 noites, ou seja, esse número quer simbolizar que durante toda a sua vida, ele foi tentado pelo demônio. No horto das oliveiras ele exclamou: ‘Pai, afasta de mim esse cálice’, para logo depois reafirmar, ‘mas que se faça a sua vontade e não a minha’. Assim também na hora suprema da dor na cruz ele manifesta a sensação de abandono, dizendo: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’ Mas em seguida, ele sente a presença amorosa e misericordiosa do Pai ao seu lado e ele vence a tentação do desânimo e do abandono.

As tentações do deserto, sofridas por Jesus, refletem também a nossa própria realidade humana. Após 40 dias, Jesus sente fome e é o momento que o demônio aparece para tenta-lo dizendo: ‘Se és filho de Deus, manda que todas essas pedras se transformem em pão’. E Jesus vai respondeu: ‘não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’. Essa tentação reduz a vida do ser humano às coisas materiais, aos bens deste mundo, se afastando das realidades celestiais. Infelizmente, muitas pessoas colocam toda a razão de ser da sua existência, na busca das coisas terrenas. E mais, acabam acreditando que são maiores do que os outros, por causa dos bens que possuem. E por pensarem assim, se colocam numa atitude de soberba, de autossuficiência e de prepotência. Tudo isso pode levar a pessoa humana a um vazio profundo, pois, o que realmente nos fortalece e dá sentido profundo à nossa vida, é a Palavra de Deus, quando buscamos viver de acordo com os seus ensinamentos.

Mas o diabo não desistiu e levou Jesus até o pináculo do templo e lhe disse: se és Filho de Deus, lança-te daqui para baixo e não te acontecerá nada, pois os anjos virão em teu socorro e não te deixarão cair sobre as pedras. E Jesus respondeu: ‘não tentarás o Senhor teu Deus’. Tentar a Deus é querer colocá-lo à prova, exigindo sinais da sua presença e do seu amor. Quantas pessoas exigem de Deus a cura de um ente querido, do contrário, não creem mais nele. Algumas religiões, diante do sofrimento e da doença de alguém, prometem curas que acabam não se realizando. Essa tentação é realmente diabólica, pois não quer deixar Deus ser Deus. As pessoas querem manobrar a Deus para fazer a sua vontade, do contrário, ameaçam abandoná-lo. Na verdade, nós não precisamos de provas e sinais de Deus para acreditar Nele.

A maior prova do seu amor é a nossa própria vida, como dom da sua infinita bondade.

Por fim, o diabo levou Jesus para um lugar muito alto e lhe mostrou todos os reinos do mundo. E garantiu que lhe daria todos eles, se o adorasse. E Jesus resistiu essa tentação, respondendo: ‘adorarás somente ao Senhor teu Deus e a ele prestarás culto’. Essa é realmente uma tentação diabólica, ou seja, essa sede desenfreada de mandar, de dominar, de se impor sobre os outros. Tem um velho ditado que diz: ‘dê poder para uma pessoa e saberás quem ela é’. Muitos, a exemplo de Jesus, usam o poder para servir, para fazer o bem, para ajudar. Outros revelam o seu lado doentio, se colocando numa atitude de autoritarismo. Jesus claramente usou o poder para servir e não para dominar e massacrar os outros. No final, o demônio se retirou e Jesus foi o grande vencedor.

Edição n.º 1503.