A famosa história do menino na praia ilustra a limitação da razão humana diante da infinitude de Deus. Santo Agostinho caminhava pela beira-mar, absorto em tentar compreender e explicar o mistério da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) para sua teologia. Ele encontrou uma criança cavando um buraco na areia e usando uma concha para tentar transferir toda a água do oceano para aquele pequeno buraco. O bispo, então, sorriu e disse que aquilo era impossível. O menino olhou profundamente para Agostinho e disparou a frase que mudou a sua perspectiva: ‘É mais fácil colocar toda a água do mar dentro deste buraquinho do que a sua mente compreender o mistério da Santíssima Trindade”. Logo em seguida, a criança desapareceu.

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Com este episódio, Agostinho compreendeu a mensagem de que Deus é infinito e a mente humana é limitada, concluindo que os mistérios divinos não são quebra-cabeças que podemos desvendar totalmente, mas sim verdades para se contemplar e adorar através da fé. Ele usa então a analogia do amor, onde ele explica que o Pai é quem ama, o Filho é amado e o Espírito Santo é o próprio amor que une ambos. É um Deus em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, que existem desde sempre, mas, que foram se manifestando ao longo da história, sendo movidos pelo amor.

Deus Pai é o Criador, que por amor, colocou todo o universo em ordem. Ele é o Senhor do mundo, que se manifestou ao povo de Israel, fazendo com eles uma aliança de amor, dizendo: ‘tu serás o meu povo e eu serei o vosso Deus’. O povo de Israel se orgulhava dizendo que Deus quis fazer aliança com outros povos, mas, somente eles o acolheram e o seguiram. No entanto, vemos ao longo da história que esse povo se afastou da Aliança com Javé, traindo-o diversas vezes e seguindo outros deuses. Para salvar e redimir a humanidade, o Pai enviou seu Filho ao mundo. Jesus, o Filho de Deus, anunciou através de palavras, gestos e ações o imenso amor do Pai. Um amor que se manifestou plenamente, dando a vida na cruz para nos salvar. O Filho prometeu aos apóstolos que não os deixaria sós, mas, enviaria sobre eles o seu Espírito Santo. E ele então desceu sobre eles, o Espírito Santo Santificador, que continua presente em todos os lugares, animando as pessoas e as comunidades.

O mistério da Trindade é o grande mistério do amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, numa profunda unidade que cria a perfeita comunidade. O nosso Deus, portanto, não é um Deus solitário, mas, comunitário. Podemos compreender de modo imperfeito esse mistério, como uma relação de amor entre as três pessoas. Esse mistério nós o contemplamos, o adoramos, e buscamos nos inspirar nele para vivermos a nossa fé. Onde impera o amor entre as pessoas, existe unidade e a vida de comunidade se fortalece. Quando cada um cumpre a sua função, permite que o outro também realize a sua missão. Entre as pessoas da Trindade não existe inveja, pelo contrário, eles se complementam entre si. Assim também na comunidade onde reina o amor, as pessoas cooperam, sem competir diminuindo os outros. Cada um é importante e necessário, para que a comunidade possa caminhar de modo ordenado e distinto ao mesmo tempo. Cada um é diferente, e é na diferença que a comunidade cresce e se completa. Guiados por esse mistério, sejamos instrumentos do amor em nossas comunidades.

Edição n.º 1517.

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