Padre André Marmilicz: Ascensão do Senhor – A festa do compromisso
Antes de subir ao céu, Jesus confiou aos seus discípulos a nobre missão de levar a boa nova do seu evangelho para todos os confins da terra. No evangelho de Mateus 28, 19, Jesus lhes diz: ‘Ide, portanto, fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. Foi o ultimo pedido antes de voltar para a casa do Pai. Ele confia aos seus, a missão de serem os continuadores da pregação, em todas as partes do mundo. Missão exigente, mas, que será plenamente realizada, porque o seu espírito conduzirá os apóstolos em todos os momentos da sua vida. No início eram apenas doze, mas, guiados pelo espírito de Jesus, vão se multiplicando e hoje, somos mais de um bilhão de cristãos, espalhados por toda a terra.
A festa da Ascensão do Senhor, portanto, não é movida pela saudade de alguém que foi embora, mas, pelo compromisso em continuar a missão iniciada pelo Mestre. Jesus praticamente não saiu da Galileia, anunciando nesta região o evangelho através de palavras, gestos e ações. Mas eles, movidos pela força do Espírito Santo, o espírito deixado por Jesus, deixam a sua terra e, com muita alegria, testemunham a boa nova a todos os povos. Cheios de coragem, eles pregam o amor de Deus, e, por onde passam, muitos vão acolhendo o evangelho e se convertendo ao cristianismo. É o testemunho dos apóstolos a grande arma através da qual muitos pagãos aderem ao seguimento de Jesus Cristo. Não é pela força, pela imposição, mas, pela influência amorosa que muitos pagãos se tornam cristãos, dando a vida por Jesus e pelo seu evangelho.
A festa da Ascensão nos ensina a olhar para baixo e enfrentar com coragem os grandes desafios do mundo em que vivemos. Muitas vezes somos tentados a fugir da realidade, negando os fatos e aquilo que nos rodeia neste tempo chamado ‘hoje’. No ‘hoje’ é que somos chamados a evangelizar, testemunhando através de palavras e exemplos, o amor de Jesus em todos os lugares. Diante dos grandes desafios da humanidade, marcada por guerras, conflitos, divisões, somos desafiados a sermos os defensores e construtores da paz. Os últimos papas da Igreja seguiram este caminho, sendo verdadeiros profetas neste mundo caótico e violento. Nada justifica a violência, pelo contrário, somente o diálogo é capaz de trazer a verdadeira paz.
Assim como no passado Jesus enviou os discípulos em missão, hoje envia a cada um de nós a sermos testemunhas do seu amor. Com os olhos abertos para a realidade que nos cerca, somos interpelados a sermos instrumentos da paz, como bem nos alertou o grande profeta do século XIII, São Francisco de Assis. Para tanto, o nosso coração deve estar cheio do amor de Jesus, contra todo tipo de ódio, de mentira, que toma conta do nosso mundo atual. Não podemos compactuar com aqueles que se servem do próprio evangelho, para espalhar medo, culpa e, pior, divisões entre os seres humanos. Somos chamados a sermos os profetas da esperança, da ternura, do encontro, contra todo tipo de guerras e destruições. A nossa vida de cristãos só tem sentido e razão de ser, quando direcionada para o bem do próximo. Não podemos cansar de fazer o bem, mesmo quando nos sentimos frágeis e impotentes diante dos grandes desafios hodiernos. Jesus nos garantiu que estará conosco até o fim dos dias. Essa certeza nos move, nos encoraja na luta por um mundo melhor, como mensageiros do seu amor.
Edição n.º 1515.
