O dia 21 de março foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, como o “Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial”. No Brasil, a data marca também o “Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé”, estabelecido pela Lei nº 14.519/23, de 05 de janeiro de 2023.

No caso do município de Araucária, há a Lei nº 4.476, sancionada em 03 de setembro de 2024, que estabelece a “Semana Educar pela Igualdade Racial”, que deve acontecer anualmente na semana de 21 de março. Mas por que essa data é tão importante para a luta contra a discriminação e o preconceito racial?

O dia 21 de março de 1960 marca um dos episódios mais brutais da história contemporânea. Naquele dia, uma manifestação pacífica em Joanesburgo, na África do Sul, contra a chamada Lei do Passe, legislação que restringia a circulação de pessoas negras e reforçava a política de segregação racial, foi violentamente reprimida pela polícia.

O protesto, que reunia moradores do bairro de Sharpeville, transformou-se em massacre: ao menos 69 pessoas foram mortas e cerca de 180 ficaram feridas, em um dos atos mais emblemáticos de repressão do regime do apartheid. O “Massacre de Sharpeville” repercutiu mundialmente, provocando indignação e mobilizando a comunidade internacional contra o sistema de segregação sul-africano.

Embora o apartheid só tenha sido oficialmente encerrado em 1994, o impacto daquele 21 de março foi imediato: em 1966, a ONU reconheceu a gravidade da discriminação racial, reforçando a urgência de ações globais de enfrentamento ao racismo.

Tendo em vista o significado histórico da data, torna-se essencial promover ações de enfrentamento ao preconceito e à discriminação, bem como iniciativas que valorizem as culturas africana, afro-brasileira e indígena.

Trata-se de um compromisso efetivo com a construção de uma sociedade mais justa e equânime. No âmbito da Secretaria Municipal de Educação (SMED), a “Semana Educar pela Igualdade Racial” orienta que as unidades educacionais desenvolvam práticas voltadas à superação do racismo, incorporando ao cotidiano escolar uma educação antirracista.

Entre formações de professores e ações pedagógicas, busca-se consolidar uma proposta educativa que reconheça e valorize as diferenças, compreendendo que, de Joanesburgo a Araucária, educar pela igualdade racial é afirmar que todo dia é dia de luta.

Edição n.º 1506.