Acontecimentos recentes em nossa política demonstram que ainda temos muito a evoluir. Neste “Mês da Mulher”, surge o momento oportuno para relembrarmos conceitos frequentemente debatidos, porém ainda ignorados na prática: a objetificação feminina e o machismo estrutural.

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A objetificação feminina refere-se ao ato de tratar a mulher como objeto, comportamento típico de sociedades machistas e subdesenvolvidas. Há diversos exemplos de como isso ocorre: tratá-la como ferramenta, como incapaz, como alguém sem iniciativa ou como um ser substituível. Para cada uma dessas situações, existe um conceito técnico que a define.

Dentre todas as formas de objetivação, talvez as mais espúrias sejam as relacionadas à sexualidade. Um aspecto que deveria estar ligado à entrega, ao afeto ou à formação de uma família acaba reduzido a uma “recompensa masculina” por razões abjetas.

Na política brasileira recente, encontramos exemplos claros dessa mentalidade. No primeiro caso, um ex-governante idoso que exibe, com naturalidade, uma “esposa-troféu” com idade para ser sua neta. No segundo, gestores atuais que celebram resultados de suas articulações com festas envolvendo mulheres pagas. Se os políticos são, de fato, o reflexo da população, percebemos que, neste ponto, situação e oposição convergem.

Estamos falando de figuras como Michel Temer, casado com Marcela Temer (42 anos mais jovem), e de nomes como Daniel Vorcaro, associado a festas de luxo e ostentação. Por sorte, vivemos distantes dessa realidade em termos de conduta, mas devemos seguir vigilantes.

A verdadeira mudança não virá apenas nas urnas, mas na superação de uma cultura que ainda enxerga a mulher como troféu ou mercadoria. Que este mês seja um marco de vigilância constante: a política só será plenamente democrática quando as mulheres deixarem de ser acessórios de poder para se tornarem sujeitos de sua própria história.

Edição n.º 1508.

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