Coluna da SMAS: Por que ainda precisamos falar sobre violência contra a mulher?
Coluna da SMAS aborda os números de atendimentos do CRAM em Araucária e reforça a importância da rede de proteção à mulher.
Vivemos em um tempo em que campanhas de conscientização ocupam espaços na mídia, nas escolas, nas empresas e nos órgãos públicos. A informação está mais acessível do que nunca. Ainda assim, diariamente somos confrontados com novos casos de violência contra a mulher. Diante dessa realidade, a pergunta que fica é inevitável: por que a violência continua acontecendo mesmo diante de leis mais rígidas, campanhas permanentes e de uma rede de proteção cada vez mais estruturada?
Os avanços conquistados ao longo dos anos são inegáveis. Sancionada em 2006, a Lei Maria da Penha ampliou os mecanismos de proteção às mulheres em situação de violência doméstica e fortaleceu a responsabilização dos agressores. A rede de atendimento também se consolidou e, cada vez mais, as mulheres encontram apoio para romper o ciclo da violência. Ainda assim, os números mostram que estamos longe de alcançar uma sociedade em que elas possam viver sem medo.
Em Araucária, apesar do elevado número de medidas protetivas e dos atendimentos realizados pelos órgãos da rede de proteção, nenhuma mulher acompanhada pelos serviços especializados do município foi vítima de feminicídio. Esse cenário reforça a importância da atuação integrada entre assistência social, segurança pública, justiça e saúde, demonstrando a relevância de uma rede articulada para ampliar a proteção e reduzir riscos às mulheres em situação de violência.
Isso, porém, não significa que o problema esteja resolvido. Muito pelo contrário. Por trás de cada atendimento existe uma mulher que precisou romper o silêncio para buscar proteção e garantir um direito básico: viver sem violência.
Os números do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) reforçam essa realidade. Em 2025, foram registrados 13.721 atendimentos. Apenas no primeiro semestre de 2026, já são 6.962 atendimentos. Esses registros incluem acolhimentos, acompanhamentos e retornos realizados pela equipe ao longo do período, evidenciando não apenas a elevada demanda pelo serviço, mas também a necessidade permanente de fortalecer as políticas públicas, ampliar as ações de prevenção e garantir que nenhuma mulher enfrente essa realidade sozinha.
Falar sobre violência contra a mulher nunca será apenas uma campanha de um mês. É um compromisso diário de toda a sociedade. Enquanto houver uma mulher vivendo com medo dentro da própria casa, ainda haverá muito trabalho a ser feito. O verdadeiro avanço não será medido apenas pela quantidade de denúncias ou de atendimentos, mas pelo dia em que nenhuma mulher precisar recorrer aos serviços de proteção para garantir a própria segurança.
Edição n.º 1943
