Durante anos, existiu no mercado imobiliário brasileiro um grupo esquecido. Famílias com renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil que ganhavam demais para acessar os melhores subsídios do Minha Casa, Minha Vida, mas de menos para financiar um imóvel com os juros de mercado, que hoje giram em torno de 10% ao ano com a Selic em 14,75%. Esse grupo ficou preso num limbo. E pagou caro por isso.

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Na semana passada, parte desse problema foi endereçada. O Conselho Curador do FGTS aprovou novos limites para o programa: a Faixa 3 sobe de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil, a Faixa 4 passa a atender famílias com renda de até R$ 13 mil e o teto dos imóveis nessa faixa chega a R$ 600 mil. São números que parecem técnicos, mas têm efeito direto na vida de quem está tentando comprar o primeiro imóvel.

Na minha avaliação, a mudança mais relevante não está no subsídio. A Faixa 4 não oferece subsídio direto. Ela garante acesso a juros menores do que os praticados no mercado tradicional, e numa economia com Selic em 14,75%, essa diferença de dois ou três pontos percentuais representa dezenas de milhares de reais ao longo de um financiamento de 30 anos. Para muitas famílias, é justamente o que define se a compra é viável ou não.

O efeito, claro, não fica restrito ao comprador. Incorporadoras já tendem a revisar estratégias e projetos diante das novas regras. A faixa entre R$ 300 mil e R$ 600 mil, que ficou estagnada nos últimos anos por falta de crédito acessível para esse público, volta ao radar do setor. Para cidades com crescimento consistente, como Araucária, esse movimento tem peso direto.

O que essa atualização faz, essencialmente, é corrigir uma defasagem acumulada. Os limites do MCMV não eram revisados enquanto os imóveis se valorizavam. Com o tempo, o programa foi perdendo aderência com a realidade do mercado e excluindo progressivamente uma fatia da população que deveria ser atendida por ele.

Essa correção chega tarde. Mas chega num momento em que o mercado estava preparado para absorvê-la. Na VKR, acompanhamos esse movimento com atenção nos últimos anos. Foi justamente essa leitura que nos levou a projetar e lançar o Residencial Província di Pádua, voltado essencialmente a famílias com renda enquadrada nas Faixas 3 e 4 do programa.

A demanda reprimida existe e é real. O crédito, agora um pouco mais acessível dentro do programa, começa a criar as condições para que ela se converta em negócio. Para quem acompanha o mercado imobiliário de perto, o sinal é claro: o segmento de médio padrão, que ficou comprimido nos últimos anos, começa a encontrar espaço para respirar.

Edição n.º 1513.

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