Alemães, italianos, franceses, ingleses, portugueses, ucranianos, japoneses, judeus e árabes. Uns atraídos pelo trabalho na agricultura, outros pelas oportunidades de negócios no comércio, na indústria e na prestação de serviços, todos preocupados com o futuro dos seus familiares.

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Sendo descendentes de imigrantes de tantas nacionalidades, os araucarienses convivem há muitas décadas com diferentes sotaques, sabores e costumes. Seus filhos e filhas têm se casado, se miscigenado, trazendo assim ao mundo novos filhos e filhas, com novas formas de ver, sentir e agir frente a nossa mistura de culturas.

Os encontros entre os jovens apaixonados, descendentes de diferentes nacionalidades, tornaram os álbuns de fotografias das famílias cada vez mais multiculturais.

De uma pra outra, sobrenomes de diferentes regiões do mundo foram se combinando nas certidões de nascimento das crianças. Descendentes de árabes e portugueses, alemães e poloneses, italianos e japoneses, passaram a compartilhar a mesma biografia, os mesmos sonhos, preocupações e realizações.

As crianças agora tinham cabelos, olhos, pele e jeito de falar diferentes daqueles dos seus avós. Uma mesma criança poderia participar de festas e comemorações de diferentes culturas, onde tios, com costumes de diferentes países, comandavam a festa de forma tão diversa que era preciso aprender a se comportar de acordo com cada ocasião e cultura.

Contavam alguns moradores antigos de Araucária que alguns pais, de algumas nacionalidades, resistiram como puderam aos casamentos entre seus filhos e filhas e os filhos e filhas descendentes de outras nacionalidades. Mas o tempo, o convívio escolar, as festas e o amor venceu preconceitos. Por outro lado, outros pais já foram bem mais solidários, apoiando os casamentos interétnicos e tornando assim a vida dos jovens casais bem mais tranquila e feliz.

No entanto, é preciso deixar evidente que a miscigenação não apagou a identidade de cada povo. Sua culinária, religiosidade, história, hábitos e costumes continuam formando a identidade dos seus descendentes, construindo sentidos, conectando passado e presente.

Acredita-se que os primeiros imigrantes a se estabelecerem em Araucária vieram de Assungui na década de 1860. Eram alemães, franceses e ingleses e se dedicaram preferencialmente à indústria e ao comércio.

Ficaram famosas as realizações do engenheiro inglês Walter e do industrial alemão Pedro Hey, dono de uma famosa serraria onde mais tarde seria instalada a Colônia Thomaz Coelho. Portanto, esses primeiros europeus a se fixarem em Araucária eram reimigrantes.

No entanto, foi a criação da colônia Thomaz Coelho e o seu relativo sucesso o fator decisivo para a atração de outros grupos de imigrantes. Novas colônias foram criadas em Araucária, como a Colônia Barão de Taunay em 1886 (atual bairro Costeira), que além dos poloneses contava com imigrantes italianos.

Desde antes de 1886 já havia italianos vivendo em Araucária. De fácil integração aos moradores brasileiros, os italianos se dedicaram ao comércio, à indústria e à agricultura. Ficou famosa a história de João Esperandio que, em 1893, montou uma serraria em Campo Redondo, ajudando assim a atrair outras famílias italianas para o município, que com o tempo passaram a viver em localidades espalhadas por todo nosso território, como Espigão Alto, Campina da Barra, Estação, Lagoa Grande, Centro, entre outras.

Atraídos pela abertura de novas oportunidades de negócios, em 1889 um pequeno grupo de judeus poloneses se estabeleceu em Thomaz Coelho, intermediando a venda dos produtos agrícolas produzidos pelos colonos. Muitos fugiam da perseguição religiosa que sofriam no velho mundo. Com o tempo, foram se mudando para Curitiba e outros centros urbanos.

Poucos anos depois, em 1895, reimigrantes ucranianos vindos de São José dos Pinhais se estabeleceram nas localidades de Ipiranga e Guajuvira, convertendo-se no segundo maior grupo imigratório em Araucária em termos numéricos, perdendo apenas para os poloneses. Eram cristãos ortodoxos e ainda hoje muitos dos seus descendentes mantêm suas tradições nas festas religiosas. Porém, ontem e hoje, em alguns casos, seus descendentes são confundidos com imigrantes de outras nacionalidades por conta da situação da Ucrânia na época da imigração, que se encontrava sob o domínio dos Impérios Austríaco e Russo. Como os primeiros ucranianos que aqui se estabeleceram eram da Galícia, domínio do antigo Império Austro-Húngaro, foram considerados austríacos. Por serem eslavos, às vezes são confundidos com os Poloneses.

No início do século XX novas levas de imigrantes portugueses chegaram em Araucária, atraídos por novas oportunidades econômicas na indústria, comércio e prestação de serviços. Alguns voltaram para Portugal enquanto outros chegavam ao Brasil e a Araucária fugindo das tensões políticas vividas na Europa. Com a implantação do Estado Novo (1937-1945) por Getúlio Vargas, findava-se a política de atração de imigrantes europeus inaugurada no tempo do Império. O Brasil e consequentemente Araucária já era um mosaico de culturas e ideologias, solidariedades e conflitos.

Edição n.º 1513.

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