Nesta edição, o Jornal O Popular reproduz um texto que foi elaborado por alunos das turmas de segundo ano do ensino médio do Colégio Estadual Fazenda Velha, que trata da necessidade e da importância da construção de uma passarela na Rodovia do Xisto (BR-476), mais precisamente no Km 153.

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A professora Angela Pietrasko, que coordenou o trabalho junto aos alunos, diz que o texto foi produzido como parte do Projeto Integrador do Governo Estadual, chamado Literatura e Sociedade. “A ideia surgiu quando eu precisei atravessar a BR para ir trabalhar no colégio e vi que alunos faziam o mesmo. Dias depois, um deles quase foi atropelado. Isso repercutiu na sala de aula e começamos a debater o assunto. Por enquanto, não pensamos em encaminhar o texto, mas fizemos o pedido de uma passarela para a Via Araucária e até o momento eles não responderam.

Segundo ela, os alunos adoraram a ideia e até fizeram um abaixo-assinado, onde pedem a construção de uma passarela na BR-476. “Eles estão sempre querendo saber o andamento do assunto. São turmas bem críticas e o texto foi escrito por eles”, disse a professora. Acompanhe a íntegra do texto elaborado pelos alunos.

A NOVELA DA PASSARELA

Uma cena tem chamado a atenção dos motoristas que passam pela Rodovia 476, na altura do km 153, entre o Supermercado Adriane e o Posto Cristal: Grupos de estudantes de mãos dadas, esperando uma brecha entre o fluxo de carros e caminhões para poder atravessar as duas vias da rodovia.

Esta mesma cena deixou a professora Angela Pietrasko indignada com a situação. Morando em Araucária há 3 anos e trabalhando no Colégio Fazenda Velha, ela também precisa fazer a travessia. “Minha maior preocupação foi ver os meus alunos, os quais deveriam ser protegidos pelo Estado, correrem um risco desnecessário”.

“Alguns motoristas são gentis e param o carro para os adolescentes passarem. Mas foi numa destas que um dos alunos quase foi atropelado, pois o motorista da outra pista não parou”, relatou a aluna Nathalia.

Este é o único jeito deles acessarem o ponto de ônibus depois de deixarem Colégio, no bairro Estação.

Mas eles não são raridade. Todos os dias, dezenas de moradores se desafiam por este mesmo caminho. São trabalhadores e estudantes que necessitam se locomover de um lado ao outro da BR.

Este problema não é novo. Há muitos anos que a travessia nesse ponto é arriscada, mas com o aumento do fluxo de carros e caminhões, a situação ficou ainda pior.

Foi a partir daí que a professora Angela levou o problema para a sala dos professores. Coincidência ou não, neste ano o Colégio está trabalhando um projeto Itinerário chamado Literatura e Sociedade, um tripé de três componentes curriculares: Literatura, Sociologia e Filosofia.

Em conversa com o professor Fernando de Mello, o qual leciona Sociologia, veio a sugestão que o tema fosse levado para sala de aula, visto que haveria o conteúdo “O poder do povo” a ser trabalhado no projeto. Já na primeira aula, algumas dúvidas e questionamentos apareceram por parte dos alunos: A quem a população deve recorrer? Se o problema é tão antigo, por que ainda não foi resolvido? O que já foi feito? O que ainda nos resta fazer?

A partir daí teve início um trabalho digno de causar inveja a Sherlock Holmes. Pesquisas, teorias, sugestões e muitos debates foram revelando o caminho a percorrer, para oficializarem um pedido de construção de uma passarela. Para quem não sabe, qualquer cidadão pode reclamar por esse tipo de melhoria. Mas se tivermos o auxílio de um representante político, o caminho pode ser mais rápido.

“Esta passarela é meu sonho, pois quando eu era aluna já havia esse problema”, relatou a professora Flávia Lisboa.

Por se tratar de uma rodovia federal, a responsabilidade é da União. Entretanto, a BR 476 é operada e mantida pela empresa Via Araucária em um modelo de concessão público-privada. O que deixou as turmas dos segundos anos preocupados é que o novo contrato não prevê a instalação de passarela neste ponto, apesar da reclamação dos moradores já existir há pelo menos 15 anos.

A aflição e o medo não se restringem apenas a quem atravessa. Se estende às famílias e amigos. Os demais alunos estão sensibilizados ao ver os colegas passando por tal dificuldade. A aluna Manuela Martins Cruz tomou a iniciativa de falar com o pai e iniciou um abaixo-assinado para dar força ao pedido.

“É uma solução tão simples. Todos querem seguir seu destino sem ter que arriscar a vida diariamente. É direito do cidadão que paga seus impostos em ter uma mobilidade urbana segura e acessível”, afirmam os estudantes.

Os alunos já sabem que se a reivindicação não for ouvida pela Via Araucária, o próximo passo é denunciar à ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres), órgão responsável por fiscalizar este tipo de situação. E se mesmo assim precisarmos, podemos recorrer ao Ministério Público. Principalmente por se tratar da exposição de adolescentes. Os alunos envolvidos aguardam ansiosos e esperançosos pelo desfecho desta novela. Aliás, para os dias atuais diríamos sobre esta série “A passarela”: Aguardemos o próximo capítulo.

Edição n.º 1516.

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