A ONU-Habitat publicou em maio o World Cities Report 2026, um relatório global sobre a crise de moradia. Os números são expressivos: 3,4 bilhões de pessoas sem acesso a moradia adequada, déficit crescendo ano a ano. E o que me chamou atenção não foi a escala do problema. Foi o diagnóstico por trás dele.

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O relatório mostra que a relação entre o preço dos imóveis e a renda das famílias piorou consistentemente na última década em praticamente todo o mundo. Não é uma crise de um país ou de uma política específica. É uma tendência estrutural: a moradia ficou mais cara, o crédito não acompanhou e as famílias foram ficando para trás.

No Brasil, isso tem um recorte muito claro. O financiamento imobiliário ainda representa cerca de 10% do PIB (muito abaixo de mercados mais maduros). Uma parcela enorme da população tem renda, tem estabilidade, quer comprar, mas simplesmente não encontra um caminho viável para isso. Não por falta de vontade. Por falta de produto acessível no lugar certo, com condições que caibam no orçamento real de uma família.

É exatamente esse espaço que a VKR escolheu ocupar. Trabalhar com o segmento econômico não é uma limitação ou oportunidade, é uma escolha. Uma escolha que parte do entendimento de que a maior demanda habitacional do país está nas faixas de menor renda, e que atender bem essa demanda exige mais do que construir barato. Exige entender onde aquela família vai trabalhar, qual escola os filhos vão frequentar, se o bairro tem condições de se desenvolver. Exige pensar o imóvel dentro da cidade, não apesar dela.

Em Araucária, construímos com essa lógica há anos. Conhecemos a cidade, acompanhamos o crescimento, entendemos o perfil de quem compra. E quando decidimos expandir para outros municípios, foi porque enxergamos ali a mesma combinação: demanda real, potencial de desenvolvimento e espaço para entregar algo que faça sentido. Não só como produto, mas como lugar para viver.

O relatório da ONU termina com uma proposta que resume bem o que acredito: a crise de moradia só se resolve com alinhamento entre poder público, mercado e comunidade. Nenhum dos três sozinho chega lá. O mercado pode construir mais e melhor, mas precisa de infraestrutura, de zoneamento inteligente e de continuidade nas políticas para que a conta feche onde ela precisa fechar.

A nossa parte nesse alinhamento é fazer escolhas que durem. Escolher terrenos que façam sentido. Desenvolver projetos pensados para aquele lugar específico. Construir com quem vai morar ali em mente, não como abstração, mas como pessoa real, com rotina real, com orçamento real.

Existe uma diferença entre construir casas e construir cidade. É essa diferença que orienta o que fazemos, e é ela que vai determinar se, daqui a dez anos, teremos avançado de verdade.

Edição n.º 1936. Vanderley Ribeiro — CEO da VKR Empreendimentos. Cuidar. Construir. Transformar..

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