Carta do Editor: Uma luta necessária!
Editorial desta edição fala sobre a dívida histórica com a população negra, o projeto ‘A cor da cultura’ na Escola Municipal Pedro Biscaia e o compromisso com o combate ao racismo estrutural.
Embora – infelizmente – algumas pessoas não tenham essa consciência, é fato que a sociedade brasileira ainda está longe de quitar a dívida histórica que todos nós temos com a população negra pelos séculos que eles foram escravizados e, posteriormente, marginalizados sem nenhum tipo de compensação.
Justamente por isso é importante vermos iniciativas como a do projeto “A cor da cultura”, que tem como objetivo a valorização do patrimônio histórico e cultural afro-brasileiro e indígena, apoiando a implementação de estratégias de educação antirracista e de promoção da educação das relações étnico-raciais em instituições de ensino.
Esta semana recebemos a boa notícia de que a Escola Municipal Pedro Biscaia, localizada no bairro Campina da Barra, foi uma das selecionadas para desenvolver ações dentro das diretrizes do projeto.
Tratar o assunto de forma séria e com a importância que o tema merece é indispensável em todos os ambientes educacionais de nosso país. Isto porque, por mais que alguns queiram minimizar ou mesmo negar que o racismo ainda é muito presente no Brasil, isso não muda o fato de que os negros ainda sofrem preconceito em muitos ambientes simplesmente em razão da cor de sua pele.
E nessa luta estamos falando em combater o racismo estrutural, que normaliza desigualdades históricas, não reconhecendo a nossa parcela de culpa nisso, já que somos pertencentes a esta sociedade que marginalizou negros sem qualquer razão para isso. O que falar então do racismo institucional que cria obstáculos à permanência e ascensão dos negros a espaços de fala e poder.
Passamos também pelo racismo ambiental, que não atende com políticas públicas básicas determinados territórios simplesmente porque eles são majoritariamente ocupados por cidadãos negros. O racismo religioso é outro problema, vez que muitos olham de forma preconceituosa praticantes de credos de matriz africana e, necessário pontuar, vemos o racismo se materializando de forma recreativa e cultural, seja por meio de piadas e memes ou inferiorizando símbolos, práticas, saberes e expressões artísticas negras.
Por tudo isso, o compromisso de todos nós não deve se resumir a não praticar o racismo, mas também a combatê-lo.
Edição n.º 1937
