Coluna Braspol: 150 anos depois — a Polônia continua viva em Araucária
Coluna da Braspol Araucária celebra os 150 anos da imigração polonesa e convida a comunidade a preservar essa memória.
Ao longo das últimas semanas, percorremos juntos uma viagem de 150 anos. Conhecemos a realidade de uma Polônia que sequer existia nos mapas, compreendemos as razões que levaram milhares de famílias a deixar sua terra natal, atravessamos o oceano com aqueles homens e mulheres e testemunhamos os primeiros passos dados em uma terra desconhecida.
Hoje, ao olharmos para Araucária, percebemos que aquela história não terminou. Ela floresceu. Ela está nas famílias que preservam seus sobrenomes com orgulho. Está nas receitas preparadas pelas avós, nos cantos entoados durante as celebrações, nas danças folclóricas, nas igrejas, nas capelas, nas festas comunitárias e nas palavras em polonês que ainda ecoam entre gerações.
A Polônia continua viva em Araucária. Ela vive na fé que sustentou os primeiros colonizadores. Vive na honestidade do trabalho, no espírito comunitário e na solidariedade que ajudaram a transformar a mata em um lugar de prosperidade. Vive, sobretudo, no coração de milhares de descendentes que carregam consigo um legado construído com coragem, sacrifício e esperança. Celebrar os 150 anos da imigração polonesa não significa apenas recordar o passado. Significa assumir a responsabilidade de preservar esse patrimônio para o futuro.
Uma história só permanece viva quando é contada. Uma tradição só continua existindo quando é praticada. Uma identidade só se fortalece quando é valorizada pelas novas gerações. Por isso, este é um convite a toda a comunidade. Aos descendentes de poloneses e também àqueles que aprenderam a admirar essa cultura que tanto contribuiu para a construção de nossa cidade.
Que participemos das celebrações deste ano histórico. Que levemos nossos filhos e netos para conhecer essa trajetória. Que visitemos nossas comunidades, nossos monumentos, nossas igrejas e nossos memoriais. Que aprendamos algumas palavras da língua de nossos antepassados. Que valorizemos nossas músicas, nossas danças, nossa culinária e nossas tradições. Porque cada gesto de preservação é também um gesto de gratidão.
Em 1876, nossos antepassados chegaram trazendo apenas aquilo que ninguém poderia lhes tirar: a fé, a cultura, a coragem e a esperança. Cento e cinquenta anos depois, cabe a nós garantir que esse legado continue vivo.
Que em cada bairro, em cada comunidade, em cada família e em cada canto de Araucária possamos reconhecer um pouco dessa Polônia que atravessou o oceano para encontrar um novo lar, sem jamais perder sua essência. Celebrar esses 150 anos é celebrar nossos antepassados. É agradecer o presente que eles nos deixaram. E é assumir o compromisso de transmitir essa história, com orgulho, às gerações que ainda virão.
Porque um povo que preserva sua memória nunca perde suas raízes. Niech żyje Polska. Niech żyje Araukaria. Niech żyje nasza historia. (Viva a Polônia. Viva Araucária. Viva a nossa história.)
Edição n.º 1939
