Em 2025, o e-commerce absorveu 4,8 milhões de metros quadrados de áreas logísticas no Brasil, segundo a Colliers, referência global em gestão de imóveis comerciais. Esse número não é só uma estatística do varejo digital. É um sinal de que o mapa das cidades está sendo redesenhado, silenciosamente, por forças que a maioria das pessoas não acompanha de perto.

WhatsApp

Participe da nossa comunidade

Entrar no grupo @opopularpr

Araucária sente esse movimento na prática. O Mercado Livre instalou aqui um centro de distribuição com investimento de R$ 120 milhões, ocupando uma área total de 400 mil metros quadrados, o equivalente a mais de 50 quarteirões. A operação funciona 24 horas por dia, em três turnos, e deve gerar 1.100 empregos diretos, com estimativa de que esse número quadruplique quando somados os postos indiretos. Não é um projeto pequeno. É uma âncora logística de escala nacional instalada aqui, no nosso quintal.

E não é coincidência. É o resultado de uma escolha estratégica. Araucária tem localização estratégica, acesso viário consolidado e uma base industrial que organizou o uso do solo de forma mais racional do que a maioria das cidades da região. Quando uma empresa do porte do Mercado Livre avalia onde se instalar, ela não escolhe por acaso. Ela lê a cidade.

O que me interessa, porém, não é celebrar a chegada do empreendimento. É entender o que ele ativa.

Quando um polo dessa magnitude se instala numa cidade, ele não opera de forma isolada, ele reorganiza o entorno. Milhares de trabalhadores precisam de moradia próxima, muda o fluxo de veículos, altera a dinâmica de bairros inteiros. A chegada de milhares de novos trabalhadores não é um dado abstrato. É gente que vai precisar de onde morar, de escola para os filhos, de comércio de rua, de transporte.

E aqui está o ponto que raramente aparece na conversa sobre mercado imobiliário: a cidade ao redor de um imóvel é tão relevante quanto o imóvel em si.

O comprador de imóvel tende a avaliar o que está dentro das paredes: metragem, acabamento, andar. Raramente analisa o vetor de crescimento da região, o tipo de demanda que está se concentrando nos arredores ou o que aquele novo polo econômico vai significar para a qualidade de vida no bairro nos próximos dez anos. E essa análise muda completamente o valor de uma decisão de compra.

Em Araucária, esse vetor está se tornando mais claro. A cidade já tinha sua vocação industrial bem estabelecida. Agora, ela acumula também uma função logística de escala nacional. Essa combinação cria pressão real sobre a oferta de habitação, especialmente nas faixas de renda de trabalhadores que vão operar essas estruturas.

Construir para esse público, no lugar certo e com qualidade real, não é preencher uma lacuna de mercado. É acompanhar a cidade onde ela está indo, não onde ela estava.

O varejo físico se reinventa. Os shoppings perdem função de polo de consumo e ganham função de lazer e experiência. Os galpões assumem o papel que as prateleiras tinham. E as cidades, nesse processo, precisam responder com habitação, infraestrutura e planejamento à altura do crescimento que está chegando.

Araucária tem os ativos para responder bem a esse momento. Tem histórico de planejamento urbano consistente, tem vocação consolidada e tem demanda real por moradia de qualidade. O que vai determinar se esse crescimento se converte em desenvolvimento de verdade é a capacidade de antecipar as perguntas certas antes que as respostas se tornem urgentes.

Vanderley Ribeiro, CEO da VKR Empreendimentos — Cuidar. Construir. Transformar.

Edição n.º 1938

LinkedIn

Conecte-se com a redação

Seguir @opopularpr