Coluna do Trânsito: Reduzir a velocidade é preservar vidas
O diretor do Departamento de Trânsito de Araucária, Renato Pedro Krupa, explica que radares e lombadas eletrônicas não são instrumentos de punição, mas estratégias comprovadas para proteger vidas: estudos da OMS mostram que cada 1% de aumento na velocidade média eleva em 4% o risco de mortes.
Em muitos momentos, os equipamentos de redução e fiscalização de velocidade são vistos apenas como instrumentos de punição. No entanto, sua verdadeira finalidade é muito mais nobre: proteger vidas. A existência de radares, lombadas eletrônicas e demais mecanismos de controle não representa uma restrição à liberdade de dirigir, mas sim uma estratégia comprovadamente eficaz para tornar o trânsito mais seguro para todos.
A velocidade excessiva é um dos principais fatores relacionados à ocorrência e à gravidade dos sinistros de trânsito. Quanto maior a velocidade desenvolvida por um veículo, menor é o tempo disponível para que o condutor perceba um risco, reaja adequadamente e consiga frear antes de uma colisão. Da mesma forma, o aumento da velocidade potencializa a energia do impacto, elevando significativamente as chances de lesões graves e mortes.
Nas vias urbanas, essa realidade torna-se ainda mais preocupante. Diferentemente das rodovias, o ambiente urbano é compartilhado diariamente por pedestres, ciclistas, motociclistas, idosos e crianças. São pessoas atravessando ruas para ir à escola, trabalhadores retornando para casa e famílias utilizando os espaços públicos. Nesse contexto, respeitar os limites de velocidade deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a ser um compromisso ético com a vida.
Estudos da Organização Mundial da Saúde apontam que a velocidade excessiva ou inadequada está presente em aproximadamente um terço das mortes no trânsito em todo o mundo. A própria entidade recomenda limites iguais ou inferiores a 50 km/h em áreas urbanas, permitindo reduções adicionais em locais de grande circulação de pedestres, como regiões escolares e áreas residenciais.
Além disso, evidências científicas demonstram que pequenos aumentos na velocidade média têm grande impacto na severidade dos sinistros. Segundo a OMS, para cada aumento de 1% na velocidade média dos veículos, há um crescimento de aproximadamente 4% no risco de mortes decorrentes de colisões.
Nesse cenário, os equipamentos de redução de velocidade cumprem papel fundamental na gestão da segurança viária. Eles induzem comportamentos mais seguros, promovem maior uniformidade no fluxo de veículos e auxiliam no cumprimento dos limites estabelecidos após análises técnicas das características de cada via.
A experiência demonstra que, onde há respeito à velocidade regulamentada, há redução de conflitos, diminuição da gravidade dos sinistros e maior sensação de segurança para toda a comunidade. O objetivo nunca foi arrecadar, mas evitar que uma distração de segundos resulte em consequências irreversíveis.
No trânsito, chegar alguns minutos antes jamais compensará a perda de uma vida. Reduzir a velocidade é um ato de responsabilidade, empatia e cidadania. Afinal, por trás de cada estatística existe uma história, uma família e um futuro que merece ser preservado.
A segurança viária é uma construção coletiva. E, muitas vezes, desacelerar é a decisão mais humana que um condutor pode tomar.
Edição n.º 1936. Renato Pedro Krupa — Diretor do Departamento de Trânsito.
