Psicóloga explica principais causas do suicídio e orienta sobre ajuda e tratamento
O fenômeno do suicídio é multifatorial, resulta da interação de aspectos psicológicos, biológicos, genéticos, culturais e socioambientais, explica a psicóloga Angelica Krzyzanovski em matéria especial do Setembro Amarelo.
É de fundamental importância compreender os sinais de alerta do comportamento suicida, bem como informar-se acerca dos meios para obter ajuda imediata e acompanhamento profissional. Qualquer indivíduo pode desempenhar um papel determinante na preservação da vida, seja a própria ou a de terceiros.
A psicóloga Angelica Krzyzanovski explica que o fenômeno do suicídio possui natureza multifatorial, sendo resultante de uma complexa interação de aspectos psicológicos, biológicos, genéticos, culturais e socioambientais. “É impossível atribuir o ato a uma causa única. Geralmente, há uma combinação de vulnerabilidades, sofrimento prolongado e eventos que, em determinado momento, atuam como gatilhos para uma crise”, afirma.
Angelica diz que a psicologia, comumente, evita a redução do suicídio a causas isoladas, como o término de um relacionamento ou a perda do emprego. Tais abordagens simplificam excessivamente um fenômeno de natureza complexa. Um término, uma demissão ou uma dívida podem ser eventos precipitantes, mas normalmente encontram uma pessoa que já está vulnerabilizada e não enxerga formas de resolver esses problemas. “A questão exige uma reflexão profunda sobre a saúde mental da sociedade atual, visto que diversos fatores sociais, econômicos e pessoais comprometem o bem-estar dos indivíduos”, compara.
Angelica acrescenta que os pensamentos suicidas têm muitas causas e, na maioria das vezes, são o resultado de uma sensação de incapacidade de gerir as circunstâncias da vida diante de situações que parecem avassaladoras.
Entre os diversos fatores preocupantes da atualidade, ela cita a instabilidade econômica, a desigualdade social, a disseminação de preconceitos (racismo, machismo, xenofobia), bem como a sobrecarga de trabalho e o excesso de estímulos proporcionados pela tecnologia. Estes elementos podem desencadear sentimentos de inadequação, o hábito recorrente de comparações e sensações de fracasso ou solidão.
“Na ausência de mecanismos de enfrentamento eficazes ou de uma rede de apoio sólida, o indivíduo pode atingir um estado de exaustão, sentindo-se sem alternativas. Nesses contextos, o sujeito pode buscar interromper ou afastar-se de uma experiência que percebe como insuportável e sem solução”, declara.
Para a psicóloga, uma das estratégias para enfrentar momentos de crise é solicitar apoio, uma vez que o olhar externo pode oferecer novas perspectivas, além de proporcionar escuta e acolhimento, o que contribui significativamente para a redução do sofrimento emocional. “É fundamental lembrar que o suporte de profissionais de saúde, incluindo psicólogos, é essencial, porém, diante das limitações de acesso a esses serviços, existem alternativas gratuitas e acessíveis, como o Centro de Valorização da Vida (CVV)”, orienta.
O CVV é um serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato. Oferece atendimento pelo telefone 188 (24 horas e sem custo de ligação), por chat disponível no site cvv.org.br ou pelo e-mail apoioemocional@cvv.org.br.
No CVV é sempre possível encontrar alguém para conversar e buscar apoio nesse momento de crise. Ainda é possível acionar os serviços de saúde como o SAMU – 192, as unidades de saúde, a UPA, entre outros órgãos.
“O foco principal é reduzir esse sofrimento insuportável e amenizar a crise, mas depois é importante buscar tratamento especializado para tratar as causas desse sofrimento”, diz Angelica.
Edição n.º 1949
