Já ouviu falar da Síndrome de Estocolmo?

TikTok

O TikTok mais pop da cidade!

Seguir @opopulardoparana

Trata-se daquele curioso estado psicológico em que a vítima de um cativeiro ou abuso acaba desenvolvendo um vínculo afetivo, de lealdade e até de amor por seu próprio agressor. Parece enredo de ficção dramática, mas é o puro retrato de uma vida que a gente conhece bem. Deixa eu te contar a história da Brasilina.

Brasilina é uma mulher de fases, nasceu em 1985 e hoje, com seus 41 anos recém-completados, carrega no corpo e no bolso o peso de escolhas amorosas duvidosas. Ao longo da trajetória, colecionou parceiros que pareciam mais focados em esvaziar a despensa dela do que em construir um futuro a dois. Na juventude, flertou com promessas vazias e rapazes que só queriam saber de aproveitar a festa.

Até que, bem na flor da idade, aos 17 anos, ela cruzou com o Luiz: um barbudinho simpático, cheio de lábia e carismático até dizer chega. Ele já vinha rondando a moça há tempos (tentara a sorte outras três vezes), mas foi naquela ocasião que o namoro engatou.

Era o auge da juventude, o vento soprava a favor e o dinheiro parecia sobrar, o que ajudava a varrer os tropeços para debaixo do tapete. O problema é que o discurso do Luiz nunca combinava com a prática. Ele jurava de pés juntos que protegia Brasilina, mas, na hora do vamos ver, a história era outra. Dizia zelar pela saúde e pela educação da companheira, mas os investimentos ficavam sempre só na promessa. Quando a Brasilina apertava e precisava de um remédio, era a velha e boa fila do SUS; se o Luiz espirrasse, corria direto para o hospital privativo mais caro da região. Na educação, ele era coerente não investia nela e nem em sí mesmo.

Até que a casa caiu. O “conforto” que faltava na mesa de Brasilina era o exato reflexo do esbanjo do rapaz e de sua turma na rua. Entre escândalos e maracutaias, o feitiço virou contra o feiticeiro e o barbudinho acabou tendo de passar uns bons anos recolhido na “gaiola”.

Sozinha e desiludida, aos 33 anos, Brasilina tentou sacudir a poeira. Arriscou novas aventuras e acabou aceitando um namoradinho bem diferente: o Jair. Indelicado, especialista em falar palavrão e meio bronco, mas com aquela pose de que não levava desaforo para casa. Foi justamente nessa fase brava que o mundo virou de cabeça para baixo com uma crise de saúde daquelas. Brasilina teve que se trancar de quarentena, enfrentou o isolamento e, por incrível que pareça, viu a vida encontrar um eixo de respiro e começar a caminhar para a frente.

Mas a liberdade dos outros costuma durar pouco no radar da memória afetiva. Bastou o Luiz recuperar o passe livre para reaparecer na porta dela, jurando de joelhos que havia aprendido a lição. Adivinha? Brasilina amoleceu o coração, acreditou de novo e caiu nos braços do antigo amor.

Não demorou duas semanas para o passado cobrar os juros. Os velhos hábitos voltaram com força total, agora acompanhados de uma pitada de teimosia alcoólica. Enquanto o parceiro esbanja por aí, a conta da casa chega pesada para a Brasilina, cuja única ‘solução’ apresentada pelo amado é continuar saqueando o suor do trabalho dela. Resta saber: será que a nossa Brasilina vai conseguir, por forças próprias, trancar essa porta de vez e romper de vez com esse cativeiro emocional?

Edição n.º 1953

LinkedIn

Conecte-se com a redação

Seguir @opopularpr