Jesus fez o seu primeiro grande discurso na montanha, apresentando as Bem Aventuranças como o caminho de vida, como um projeto que nos conduz à santidade. Felizes, bem aventurados são aqueles que são capazes de sair de si mesmos e colocar-se a serviço daqueles que mais necessitam e precisam da nossa presença. Jesus apresenta claramente como felizes, aqueles que compreenderam a essência da passagem por esta vida: o amor que se doa plenamente em favor dos mais frágeis e sofredores. Um discurso que vai determinar o jeito de ser e de viver do Mestre. Ele mesmo vai ao encontro dos mais necessitados, dos pobres e dos excluídos da sociedade daquela época. Sua escolha preferencial é por aqueles que a sociedade mais rejeita e se afasta, que são os pequenos e abandonados. E conclama como felizes todos os que são capazes de fazer o bem, carregados por um amor que acolhe a todos, especialmente, os mais sofredores.

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A santidade que Jesus nos propõe se coloca na dinâmica do serviço alegre e gratuito, sem esperar trocas ou recompensas. Felizes, em primeiro lugar os pobres de espírito, ou seja, aqueles que não põem como centro de suas vidas a ganância, o acúmulo, mas, a capacidade de partilhar e pensar no bem do próximo. Felizes os que choram a dor e o sofrimento do outro, porque carregados de compaixão e ternura. Felizes os humildes, aqueles que não se colocam acima dos outros, mas, reconhecem a sua pequenez, porque vieram do pó e ao pó voltarão. Felizes aqueles que tem fome e sede de justiça, que são honestos, corretos, incapazes de fazer qualquer coisa para prejudicar os outros. Felizes os misericordiosos, que não se colocam numa atitude de arrogância, de prepotência, julgando e condenando os pequenos ou os que pensam diferente. Felizes os puros de coração, porque não carregam nem ódio e nem maldade em seu coração, mas, providos de um amor sem limites. Felizes os que promovem a paz, contra todo tipo de guerra, de armamento, porque o que os move é a capacidade de escutar e dialogar com todos. E, finalmente, felizes os que são caluniados e perseguidos por causa do evangelho de Jesus Cristo, porque deles é o Reino dos céus.

Num mundo marcado por tanto ódio, maldade, desejo de vingança, intolerância com o diferente, mentiras, a proposta de Jesus nos convida a repensar o nosso jeito de ser e de viver. Infelizmente, muitos em nome de Jesus cometem atrocidades, atitudes totalmente contrapostas aos ensinamentos do Mestre. Só aqueles que tem um coração carregado pelo amor, são capazes de compreender a profundidade da Boa Nova anunciada pelo Mestre dos Mestres. O amor nos torna iguais, nos torna irmãos uns dos outros, e, não inimigos. Quem professa a sua fé em Jesus, em hipótese nenhuma carrega o ódio dentro do seu coração. O próprio Jesus nos alerta: nem todo aquele que diz Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai. Ou seja, aquele que é capaz de amar de modo gratuito, desinteressado, como o próprio Deus que ama a todos sem distinção de raça, de cor, de sexo ou de status quo.

Como peregrinos por este mundo, somos chamados a ser santos, e, a santidade, passa pelo amor. Um amor que acolhe a todos, que se abre aos mais sofredores, que faz o bem sem se importar a quem. Somos chamados a deixarmos nossas marcas por onde passarmos, marcas de um amor pleno, gratuito e sem limites.

Edição n.º 1956

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