Acabei de ler os comentários deixados em meu blog durante esta semana e um deles é a inspiração deste texto. Alguém escreveu lá que estou sentindo falta da FG que recebia até meses atrás. Para quem não é iniciado em administração pública, FG significa Função Gratificada, uma vantagem acessória paga aos servidores efetivos que exercem atividades de chefia, direção, coordenação e outras… de natureza especial, digamos assim.
 
Enquanto servidor público de carreira, recebi a tal da FG em duas situações: quando trabalhei na Controladoria Geral do Município, exercendo a função de Chefia de NAF e quando estive na Assessoria de Comunicação Social, fazendo às vezes de assessor de imprensa, redator e repórter. Em ambos os casos, a concessão da FG foi legal e moral.
 
O que me incomoda quando alguém diz que “devo estar sentindo falta daquele dinheiro que recebia a mais por conta da FG” é justamente em que a FG está se transformando: meramente um numerário a mais no salário.
 
Aqueles detentores de uma Função Gratificada não deveriam ser vistos como alguém que está ganhando um pouco mais e sim como funcionários diferenciados, que por conta de sua capacidade intelectual ou de liderança foram designados para exercerem funções extras daquelas previstas no perfil profissiográfico de seu cargo.
 
Sem querer tirar os méritos daqueles que fazem por merecer – no sentido legal, profissional e moral da palavra – a Função Gratificado que recebem, o que está havendo na Prefeitura é uma prostituição da FG. Ah, e esta prostituição não é privilégio somente desta gestão, que se deixe claro. Ora, não é admissível que exista servente recebendo gratificação por executar serviços de limpeza, ou motorista que a receba por dirigir, ou auxiliar administrativo que a receba por auxiliar administrativamente e assim sucessivamente.
 
O grande problema desta prostituição da FG é que aqueles que realmente a fazem por merecer não têm o seu verdadeiro valor profissional reconhecido. E quem perde com isso é o serviço público. E a população, claro. Isto porque as gratificações distribuídas sem critérios técnicos acabam sendo designadas para as pessoas erradas, que não estão interessadas num serviço público de qualidade e sim em agradar este ou aquele político. E isto acaba desestimulando aquele servidor de carreira que encara o serviço público como profissão e missão de vida. Uma pena!
 
P.S: Ah, quanto ao comentário feito no blog. Posso dizer que a FG não está me fazendo falta. Para este cidadão aqui, não há dinheiro no mundo que pague a certeza de que se tomou a decisão certa, o que permite que eu durma o sono dos justos, trabalhe de cabeça erguida e diga o que eu considero certo para quem quer que seja, não interessando o cargo que ele ocupe.
 
Ajude este pobre rapaz, não com dinheiro, mas com sugestões, críticas e opiniões, neste blog. Boa semana pessoal.

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