A morte do pequeno João Gabriel Ferreira dos Santos, de apenas 5 anos, foi uma tragédia. Uma daquelas situações para as quais dificilmente encontraremos palavras capazes de dimensionar a dor de um pai e de uma mãe que perdem um filho. Durante os 38 dias que separaram a localização do corpo da conclusão do inquérito, porém, outra coisa chamou atenção: a facilidade com que parte da sociedade transformou dúvidas em certezas e suspeitas em condenações.

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A investigação foi concluída. Houve laudo da Polícia Científica, depoimentos, análise das circunstâncias e diligências policiais. Ao final, a autoridade responsável pelo inquérito não encontrou elementos que apontassem crime ou responsabilidade dos pais. João Gabriel morreu vítima de um acidente.

Curiosamente, entretanto, nem mesmo a conclusão técnica parece suficiente para alguns. Nas redes sociais, continuam surgindo teorias, acusações e sentenças. Pessoas que jamais tiveram acesso aos autos, nunca estiveram na propriedade e não participaram de uma única diligência parecem saber mais do que peritos e policiais que investigaram o caso. E talvez esteja justamente aí um dos grandes males do nosso tempo.

Já não buscamos necessariamente a verdade. Muitas vezes, buscamos apenas elementos que confirmem aquilo em que decidimos acreditar. E, quando os fatos contrariam nossas convicções, são os fatos que passam a ser questionados.

É o tribunal da internet, onde primeiro vem a sentença e depois, se houver interesse, procuram-se as provas. No caso de João Gabriel, entretanto, existe uma família inteira do outro lado da tela. Pai e mãe que perderam um filho e, que ao enfrentarem uma dor inimaginável, precisaram conviver com suspeitas e acusações.

O inquérito terminou. A investigação respondeu às perguntas que precisava responder. Foi uma fatalidade. Talvez agora seja hora de permitirmos que essa família faça aquilo que deveria ter podido fazer desde o primeiro dia: viver o seu luto em paz.

Pense nisso e boa leitura.

Edição n.º 1949

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