Coluna Braspol: Da pequena Staszkówka às terras de Araucária: a história da família Drewniak e a construção de um novo lar
Coluna Braspol resgata a trajetória da família polonesa Drewniak, que em 1884 deixou a vila de Staszkówka rumo a Araucária.
Por mais de um século, milhares de famílias polonesas transformaram coragem em legado. Entre elas estava a família Drewniak, cuja trajetória representa a esperança, o trabalho e a perseverança que ajudaram a construir Araucária.
Em 1884, na pequena vila de Staszkówka, no sul da Polônia, o casal Michał Drewniak e Anna Niewola Drewniak tomou uma das decisões mais difíceis de suas vidas: deixar a terra onde nasceram em busca de um futuro melhor para seus filhos.
A Europa vivia um período de dificuldades econômicas e incertezas. A promessa de terras férteis e oportunidades no Brasil despertava sonhos, mas também exigia coragem para enfrentar o desconhecido.
Com poucas malas, muita fé e um coração cheio de esperança, Michał e Anna iniciaram uma longa jornada acompanhados de seus três filhos: Matheusz, de apenas cinco anos; Jan, com dois anos; e a pequena Maria, um bebê de apenas dois meses de idade.
O primeiro destino foi o Porto da Antuérpia, na Bélgica, um dos principais pontos de embarque de imigrantes europeus rumo às Américas. Ali, a família embarcou no navio a vapor inglês Rossé, iniciando uma travessia que mudaria definitivamente o destino das futuras gerações da família Drewniak.
Durante semanas, o oceano foi o único horizonte. Entre tempestades, saudades e expectativas, centenas de famílias dividiam o mesmo sonho: encontrar uma nova oportunidade de vida do outro lado do Atlântico.
Em 14 de junho de 1884, o navio finalmente chegou ao porto do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, os imigrantes contemplavam um país completamente diferente daquele que haviam deixado para trás. Três dias depois, em 17 de junho de 1884, a viagem prosseguiu até Antonina, no litoral paranaense.
Mas a jornada ainda não havia terminado.
Da costa, seguiram em direção ao planalto até chegarem à Colônia Thomáz Coelho, núcleo de colonização localizado no atual município de Araucária, onde diversas famílias polonesas iniciavam uma nova vida.
O cenário encontrado era muito diferente da pequena Staszkówka. Havia mata fechada, poucas construções e enormes desafios. Era preciso abrir caminhos, derrubar árvores, construir moradias, cultivar a terra e formar uma comunidade praticamente do zero.
Foi nesse ambiente que a família Drewniak lançou suas raízes.
Com trabalho incansável, união familiar e profunda fé, Michał e Anna ajudaram a transformar uma área de colonização em uma comunidade próspera. Seus filhos cresceram, constituíram novas famílias e deram continuidade a um legado que atravessaria gerações.
A história da família Drewniak não é apenas a memória de uma viagem realizada em 1884. Ela representa milhares de histórias semelhantes, vividas por homens e mulheres que cruzaram um oceano levando pouco além da esperança e da disposição para trabalhar.
Hoje, mais de 140 anos depois, seus descendentes continuam presentes em Araucária, preservando tradições, valorizando a cultura polonesa e mantendo viva a memória daqueles que tiveram coragem de recomeçar em uma terra desconhecida.
Celebrar os 150 anos da imigração polonesa é reconhecer que o desenvolvimento de Araucária também foi construído pelas mãos dessas famílias pioneiras. Entre elas, a família Drewniak ocupa um lugar especial, lembrando que toda grande história começa com um passo de coragem.
Ao recordar essa trajetória, homenageamos não apenas uma família, mas todos os imigrantes que transformaram saudade em esperança, trabalho em prosperidade e uma pequena vila da Polônia em parte da identidade cultural de Araucária.
Porque enquanto houver descendentes que contem essa história, a viagem iniciada em Staszkówka, em 1884, jamais chegará ao fim.
Edição n.º 1941
