Tudo na vida tem um início, meio e fim. E não é porque eventualmente não tenhamos presenciado alguma dessas três fases é que elas não existiram, existem ou existirão.

Esta semana, por exemplo, vimos etapas dessas tríades agitando o cenário policial local. Um dos mais interessantes dele foi, finalmente, a conclusão do julgamento popular do assassino de um empresário no longínquo ano de 2008. Exatamente! Um crime cometido há mais de treze anos, com autoria e motivação conhecidos, ainda permanecia sem seu epílogo.

Numa sociedade que almeja ser justa não se pode admitir que essa demora seja regra. Ainda mais quando estamos sujeitos a uma hierarquia jurídica em que um de seus pilares é a presunção de inocência.

É louvável que vivamos num país que tenha a presunção de inocência como pilar. Afinal, cada cidadão é único e vital para evoluirmos enquanto sociedade. Logo, é necessário dar-lhe o benefício da dúvida, de modo que ele possa recorrer a todas as instâncias possíveis na tentativa de provar sua inocência.

O que não pode ocorrer é transformarmos essas inúmeras possibilidades de recursos num incentivo ao cometimento de crimes, numa demorada caminhada que privilegia o injusto em detrimento do justo. Até porque, quando isso acontece, esquecemos que um crime – principalmente contra a vida – tem dois atores: o autor e a vítima.

Ora, o direito do autor de ser submetido a um julgamento correto não pode se sobrepor ao direito da vítima ou de sua família de ver o caso encerrado, possibilitando que ela tente virar a página e seguir com vida crendo ou descrendo da justiça dos homens. Afinal, pior do que conviver com o sentimento de justiça ou injustiça é o de não ter nenhum deles.

Essa demora no julgamento cria situações, no mínimo, irônicas, para não dizer revoltantes. No caso concreto desta semana, por exemplo, levou-se treze anos para condenar alguém a dezesseis. Ou seja, se o caso tivesse tido um final célere, a família da vítima teria, há muito tempo, virado essa triste página de suas vidas e o assassino estaria prestes a sair da prisão (isto, claro, considerando que não houvesse as chamadas progressões de regime). Pensemos todos nisso e boa leitura.

Publicado na edição 1289 – 25/11/2021

CONTEÚDO RECOMENDADO

VEJA TAMBÉM

Avanços necessários!

É inegável que a cidade de Araucária obteve muitos avanços ao longo dos últimos anos em várias áreas, principalmente no que diz respeito ao transporte

Dia de Escola!

Na última segunda-feira, 2 de maio, parte da equipe de O Popular visitou os alunos do Colégio Estadual Dias da Rocha. Na oportunidade conversamos com

Novas colunas

Há algumas semanas O Popular incorporou em sua edição impressa mais duas colunas. Uma de conteúdo histórico e outra de conteúdo educacional. Elas se somam

Prevenir é sempre melhor!

Todo mundo já ouviu falar aquela conversa, e muitos ainda concordam, que a pessoa prefere não fazer exames preventivos porque quem muito procura, acha. Como

As máscaras se vão, o aprendizado fica!

Depois de 23 meses com ela sendo uma das protagonistas deste novo normal, decretos do Governo do Estado e do Município derrubaram a exigência do

Liberdade para informar, não tumultuar

exercício da atividade de imprensa profissional exige de seus praticantes um conjunto de princípios que nem sempre aqueles que se consideram “veículos de comunicação” são

Vão se as máscaras permanecem os cuidados

O governador do Estado, Ratinho Junior (PSD), assinou nesta quarta- -feira, 16 de março, o decreto que desobriga a população da utilização de máscaras em

Desnecessária

A discussão pela Câmara de Vereadores de um projeto de lei proibindo a utilização da chamada linguagem neutra nas escolas de Araucária é uma daquelas

Compartilhe

Share on twitter
Share on facebook
Share on telegram
Share on whatsapp