Editorial: O destino é óbvio

Editorial: O destino é óbvio
Foto: Divulgação
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Ainda não será no Dia Mundial do Meio Ambiente de 2024 que veremos Araucária sendo compensada por um dos maiores desastres ambientais do país.

Lá se vão 24 anos desde que pelo menos 4 milhões de litros de petróleo atingiram o Rio Barigui e, principalmente, o Rio Iguaçu.

Lá se vão 11 anos desde que a Petrobras foi sentenciada a pagar mais de meio bilhão em indenizações pelo desastre

Lá se vão praticamente três anos desde que a Petrobras finalmente celebrou um acordo para pagar R$ 1,4 bilhão a diversos órgãos governamentais como forma de indenização pelo desastre ambiental.

Lá se vão quase dois anos que esses órgãos não se entendem quanto a correta destinação desses recursos, o que tem obrigado a Justiça Federal a não permitir a utilização desses valores.

Essa discussão quanto a correta destinação desses recursos, convenhamos, soa absurda quando paramos um pouco para pensar e constatamos que a vítima desse vazamento foi quase que exclusivamente o Rio Iguaçu! Ora, se a vítima é o Rio Iguaçu, por óbvio que os valores deveriam ser investidos para o recuperarmos.

E quem tem a oportunidade, como nós araucarienses, de quase que diariamente nos depararmos com o Rio Iguaçu sabe que ele precisa urgentemente desses recursos. Já precisava antes do vazamento, já que a preservação de nossos rios nunca foi um forte de nossos governos. Imagina então o grau dessa necessidade após uma tragédia como essa? Soa absurdo em tempos de desastres climáticos como o que acabamos de acompanhar no Rio Grande do Sul termos dúvidas sobre a destinação desses recursos. O planeta tem nos dados sinais claros acerca da necessidade de cuidarmos com um pouco mais de carinho de nossos rios. Logo, é inadmissível que o Rio Iguaçu não seja o beneficiário direto desses recursos, que devem ser investidos na recuperação completa da flora local, dando uma nova oportunidade para recomposição da mata ciliar de seu entorno, priorizando-se o trecho araucariense do lago. Do contrário, será como se estivéssemos – novamente – ferindo de morte o principal rio do Estado.